Sessão solene reúne homenagens e histórias de pertencimento nos 482 anos de São Mateus
Tradicional cerimônia da Câmara Municipal marcou as comemorações pela colonização do município e reuniu vereadores, autoridades e personalidades homenageadas
Foto: Divulgação/Câmara de São Mateus
As comemorações pelos 482 anos de colonização de São Mateus ganharam, na noite de 16 de setembro, um momento dedicado à memória, ao reconhecimento e às pessoas que mantêm vínculos com o município. A Câmara Municipal realizou sua tradicional sessão solene, no Cerimonial Porto dos Encantos, na estrada das Meleiras, no lado norte da Ilha de Guriri.
A cerimônia integra o calendário comemorativo do município e tem entre seus momentos centrais a entrega de comendas, medalhas e títulos de cidadania honorária a pessoas que, por suas trajetórias ou atuação, estabeleceram vínculos com São Mateus. O Regimento Interno da Câmara prevê a realização da sessão solene e a entrega de títulos honoríficos como parte da programação comemorativa.
Neste ano, os discursos e depoimentos reuniram diferentes maneiras de olhar para a cidade: pela atuação política, pelas trajetórias profissionais de mateenses que construíram suas carreiras fora do município, pelo vínculo familiar e, também, pela preservação da memória histórica.

Para o presidente da Câmara Municipal, vereador Wanderlei Segantini, a sessão representa também um momento de integração entre os integrantes do Legislativo. Ao falar sobre a cerimônia, Segantini destacou a participação conjunta de servidores e vereadores e mencionou a relação institucional com o Executivo municipal.
“Festa não é só comemorar, é essa união”, disse Segantini.
O presidente também relacionou a celebração dos 482 anos ao momento vivido pelo município e citou o programa Acelera Mateus, além de agradecer pela participação na programação.

O vereador Eliandro Schaeffer ressaltou o significado da homenagem às pessoas que recebem títulos durante a sessão.
“É maravilhoso este evento para homenagear a população com título de cidadão.”
Para ele, a cerimônia integra as comemorações pela data histórica e representa uma forma de reconhecimento público.
O vereador Cristiano Balanga também destacou o caráter das honrarias concedidas pela Câmara. Segundo ele, a sessão permite reconhecer pessoas que contribuíram para a trajetória do município.
“É um reconhecimento das pessoas que fizeram história na nossa cidade.”

Balanga observou ainda que a presença dos homenageados e familiares dá à cerimônia um significado próprio dentro da programação dos 482 anos.
A sessão, dessa forma, não se limita à entrega de diplomas e títulos. É um dos momentos em que o município estabelece, por meio de seu Poder Legislativo, uma relação entre a história coletiva e as trajetórias individuais.
◙ Veja o que disseram os vereadores Segantini, Schaeffer e Balanga ▼
De São Mateus para o Brasil, sem perder as raízes
Entre os homenageados estava o epidemiologista Élido Bonomo, integrante de uma família tradicional de São Mateus e que construiu boa parte de sua trajetória profissional em Minas Gerais.
Bonomo contou que a família chegou ao município no final do século XIX, procedente da Itália, e que sua formação o levou posteriormente para fora do Espírito Santo. “Eu sou daqui. A família Bonomo é daqui.”
Ele deixou São Mateus para cursar o segundo grau em Viçosa e, posteriormente, graduação na Universidade Federal de Ouro Preto. A partir daí, construiu uma carreira de aproximadamente quatro décadas como servidor da universidade, na área de Epidemiologia e Saúde Pública.

A homenagem, segundo relatou, foi recebida como uma surpresa. Bonomo contou que, ao receber o comunicado sobre a homenagem, chegou a questionar se realmente havia feito o suficiente pelo município. Ao longo da carreira, porém, sua atuação profissional o levou a diferentes regiões do país e a organizações nacionais, inclusive à presidência de conselho federal. Mesmo longe de São Mateus, a origem permaneceu presente.
“Eu sou mateense radicado em Minas.”
A frase resume uma situação comum entre pessoas que deixam a cidade para estudar ou trabalhar, mas preservam a relação com suas origens.

O cardiologista Kaio da Hora, outro homenageado da noite, apresentou uma trajetória diferente. Permaneceu ligado à cidade e destacou o vínculo familiar construído ao longo de gerações.
Avô, pais, tios e outros familiares nasceram e foram criados em São Mateus, segundo contou. Para ele, essa história familiar está diretamente relacionada ao sentimento de pertencimento ao município. “Eu tenho um amor gigante.”
Kaio também falou sobre Guriri e sobre a relação que mantém com a cidade, inclusive levando os filhos ao município sempre que possível. Ao agradecer pela homenagem, resumiu sua relação com o lugar onde estão suas raízes:
“Eu amo demais a minha cidade, de coração.”
Os dois depoimentos mostram, por caminhos diferentes, uma mesma dimensão da identidade mateense: a cidade pode continuar presente na vida de quem permanece e também na trajetória de quem precisou sair para construir sua carreira.
◙ Veja o que disseram os homenageados Élido Bonomo e Kaio da Hora ▼
Memória, pertencimento e responsabilidade
A sessão também abriu espaço para uma reflexão sobre o significado histórico da data. O historiador Eliezer Nardoto lembrou que o 21 de setembro representa, na tradição histórica local, o marco utilizado para celebrar o início da colonização de São Mateus, associado ao ano de 1544. Eliezer destacou ainda a importância da Câmara Municipal como instituição que preserva parte dessa memória. “Essa data de hoje a gente comemora a colonização que é de 1544.”
Ele também chamou atenção para a necessidade de manter a ligação entre passado e futuro.
“A Câmara é o poder do povo.”
Na avaliação do historiador, a cerimônia anual cumpre justamente essa função de recordar acontecimentos que fazem parte da formação do município e, ao mesmo tempo, projetar a cidade para os próximos anos.
A história institucional de São Mateus registra a transformação da antiga povoação em vila em 1764 e, posteriormente, a criação do município em 1848. A própria documentação municipal distingue o marco da colonização, celebrado em 21 de setembro, da formação administrativa do município.

O subcomandante do 13º Batalhão da Polícia Militar, major Antônio Bergamin, destacou a importância da solenidade. Bergamin, que não nasceu em São Mateus, falou sobre o significado de receber o título e sobre a responsabilidade que, segundo ele, acompanha a homenagem.
“Agora são filhos de São Mateus e têm que cuidar e zelar por essa cidade linda.”
O major também abordou a atuação da Polícia Militar durante a programação comemorativa, especialmente nos eventos realizados no Parque de Exposições. Conforme Bergamin, o planejamento envolveu policiamento a pé, trânsito, cavalaria e cães, além do emprego de recursos tecnológicos de monitoramento. Ele informou ainda que cerca de 70 policiais militares atuaram diariamente dentro do parque, somados a equipes de segurança privada, brigadistas e policiais civis.
◙ Veja o que disseram Eliezer Nardoto e major Bergamin ▼
Uma cidade celebrada por diferentes histórias
A sessão solene realizada pela Câmara acrescenta uma dimensão própria às comemorações dos 482 anos de São Mateus. Enquanto a programação festiva reúne moradores e visitantes em torno da música, do entretenimento, da cultura e do agronegócio, a cerimônia do Legislativo propõe outro tipo de celebração: aquela que olha para as pessoas que fazem parte da história do município.
São mateenses de nascimento, descendentes de famílias que ajudaram a formar a cidade e pessoas que chegaram de outros lugares e construíram aqui vínculos suficientes para receber o título de cidadão. É naturalmente também uma oportunidade de lembrar que a história de um município não é feita apenas por suas datas, prédios ou acontecimentos registrados nos livros. É formada pelas trajetórias individuais.
Por quem nasceu aqui e permaneceu. Por quem saiu e voltou. Por quem partiu e manteve as raízes. E por quem chegou de outros lugares e passou a chamar São Mateus de sua cidade. No momento em que o município celebra 482 anos do marco tradicional de sua colonização, a sessão solene da Câmara colocou essas histórias no centro da comemoração.


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