Super El Niño preocupa São Mateus e prefeito articula plano contra crise hídrica
Prefeitura alerta para risco de estiagem severa, conclama apoio da população e discute ações para evitar desabastecimento em São Mateus
Foto: Hora da Notícia Online
A possibilidade de ocorrência de um super El Niño e seus possíveis impactos sobre a disponibilidade de água em São Mateus mobilizou representantes do poder público, entidades da sociedade civil, setor produtivo e instituições de ensino em uma reunião de alerta promovida pela Prefeitura. Liderado pelo prefeito Marcus Batista, o encontro realizado nesta terça-feira (16), no auditório do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), contou com a participação de técnicos, vereadores, ambientalistas, representantes do agronegócio, loteadores e membros da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), além de equipes da Prefeitura e do próprio Saae. O objetivo foi discutir medidas preventivas diante da perspectiva de uma estiagem severa que poderá provocar novamente a salinização das águas do Rio Cricaré, manancial utilizado para o abastecimento da cidade.
Durante a reunião, o prefeito Marcus destacou que o Município trabalha em diferentes frentes para ampliar a segurança hídrica da população. Entre as medidas anunciadas estão a manutenção dos poços artesianos profundos já existentes, a perfuração de novos poços, parcerias com loteadores para ampliar a infraestrutura hídrica e campanhas de conscientização sobre o uso racional da água.
“Estamos próximos de lançar novas licitações para perfuração de poços artesianos, que é a medida mais rápida que conseguimos executar neste momento. Também queremos conscientizar a população sobre a necessidade do uso responsável da água diante de um cenário que pode se agravar”, afirmou.
Atualmente, o Saae conta com 56 poços artesianos que auxiliam o abastecimento da sede do município, do balneário de Guriri e de comunidades rurais.
Obras estruturantes
O prefeito lembrou de projetos considerados estratégicos para reduzir a vulnerabilidade do sistema de abastecimento. Entre eles está a mudança do ponto de captação de água para uma área mais acima do Rio Cricaré, distante da influência da cunha salina.
Segundo Marcus Batista, a proposta vem sendo discutida em parceria com o Governo do Estado e já se aproxima da fase de licitação. Outra iniciativa em estudo é a construção de um reservatório de grande porte para ampliar a capacidade de armazenamento de água do município, que atualmente não dispõe de sistema de reservação.
Também foi citada a possibilidade de implantação de um ressalto hidráulico semelhante ao existente em Nova Venécia, estrutura que contribui para a retenção de água e redução dos impactos provocados por períodos de estiagem. O projeto, entretanto, depende de estudos e de processos de licenciamento ambiental, uma vez que o Rio São Mateus percorre territórios de dois estados e está sob gestão federal.

Lembrança da crise de 2016
A preocupação das autoridades está diretamente relacionada ao histórico recente do município. Em 2016, durante um forte evento de El Niño, a estiagem reduziu significativamente a vazão do Rio Cricaré, permitindo o avanço da cunha salina até o ponto de captação do Saae.
Na ocasião, milhares de moradores conviveram durante meses com água salobra chegando às torneiras. O problema se prolongou e marcou uma das mais graves crises hídricas da história recente de São Mateus.
Mais recentemente, episódios de salinização voltaram a ocorrer, exigindo operações emergenciais com caminhões-pipa e ampliação da utilização de poços artesianos para manter o abastecimento.
Segundo o prefeito, caso um novo cenário crítico se confirme, medidas semelhantes poderão voltar a ser adotadas. “Se houver necessidade, poderemos buscar água em pontos do rio acima da área afetada pela salinidade e reforçar o abastecimento por meio dos poços artesianos”, explicou.
Consumo consciente e união de esforços
Marcus Batista ressaltou que a principal orientação à população neste momento é a adoção de práticas de consumo consciente da água. Ele observou que os impactos de uma eventual crise hídrica atingem toda a sociedade, independentemente de posicionamentos políticos ou setores econômicos.
O prefeito também chamou atenção para os reflexos que a estiagem pode provocar no campo. De acordo com ele, a redução da disponibilidade hídrica poderá afetar diretamente a irrigação das lavouras e exigir medidas de restrição para garantir o abastecimento humano.
“Um dos primeiros impactos pode ocorrer justamente na agricultura. Nossa prioridade será assegurar água para a população, mas queremos trabalhar desde já para evitar medidas mais duras no futuro”, afirmou.
◙ Veja o que disse o prefeito Marcus Batista ▼
Legislativo apoia construção de soluções
Durante a reunião, o presidente da Câmara Municipal, vereador Wanderlei Segantini, e outros parlamentares manifestaram apoio às ações preventivas e defenderam a construção conjunta de alternativas para enfrentar o problema.
A administração municipal também instalou o Comitê da Crise Hídrica para monitorar o cenário climático, acompanhar a evolução das condições hidrológicas e coordenar as ações necessárias em caso de agravamento da estiagem.
A iniciativa busca fortalecer a articulação entre os poderes públicos, órgãos técnicos, produtores rurais, entidades representativas e a população, com o objetivo de minimizar os impactos de uma possível nova crise hídrica em São Mateus.
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