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‘Setembro Verde’: mais de 2,8 mil pessoas aguardam por transplante no Espírito Santo

Desafio ao longo do mês, e que vale para todo o ano, está na conscientização dos familiares sobre a importância de dizer ‘sim’ à doação e reduzir a taxa de recusa familiar

Foto: Elza Fiúza/Arquivo Agência Brasil

O Espírito Santo inicia setembro, mês que marca a campanha nacional de conscientização e incentivo à doação de órgãos e tecidos no conhecido ‘Setembro Verde’, com 2.843 pessoas aguardando por um transplante. O número, ainda que dinâmico, traduz a importância da doação às pessoas que aguardam por uma nova oportunidade de vida. 

Segundo a Central Estadual de Transplantes (CET-ES), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a maior demanda é por córnea, com 1.734 pacientes aguardando pelo transplante. Em seguida, aparecem os pacientes que aguardam um transplante renal, com 1.036 pessoas. São 64 pessoas aguardando transplante de fígado e nove, de coração.

E para que o desfecho seja positivo, uma vez que o transplante é a última alternativa terapêutica para restabelecer a função de órgãos ou tecidos gravemente comprometidos, o desafio ao longo do mês, mas também durante todo o ano, está na conscientização dos familiares sobre a importância de dizer ‘sim’ à doação e reduzir a taxa de recusa familiar, um dos processos mais importantes.

“É importante compreender que o transplante é a última alternativa de tratamento. Antes de chegar à indicação do transplante, todas as demais possibilidades terapêuticas já foram consideradas e disponibilizadas ao paciente. Por isso, quando uma família decide pela doação, está proporcionando uma nova oportunidade de vida: um único doador pode beneficiar até oito pessoas. Da mesma forma, uma negativa familiar tem impacto direto sobre aqueles que aguardam por um órgão para continuar vivendo. Quando dizemos ‘sim’ à doação, também estamos dizendo ‘sim’ à vida e à possibilidade de, um dia, precisarmos dessa mesma solidariedade. Se eu precisar estar nessa fila, também gostaria de encontrar alguém disposto a dizer ‘sim’ para mim”, explicou a coordenadora do CET-ES, Maria Machado.

No Espírito Santo, durante o primeiro semestre de 2026, a recusa familiar ocorreu em 55% das 102 entrevistas realizadas. Para ser um doador, é necessário conversar com a família e deixar os familiares cientes sobre o seu desejo.

“Se você deseja ser um doador de órgãos, converse com sua família e deixe claro esse desejo. No Brasil, a decisão pela doação cabe à família, por isso, mais do que qualquer documento, é essa conversa que pode fazer a diferença. Falar sobre doação de órgãos é falar sobre um desejo de vida que pode, no momento mais difícil, transformar a dor de uma família em esperança para outras pessoas”, reforçou a coordenadora do CET-ES, Maria Machado.

Neste ‘Setembro Verde’, a Sesa reforça a importância de comunicar à família o desejo de ser doador. Não é necessário deixar a vontade expressa em documentos ou cartórios, basta que sua família atenda ao seu pedido e autorize a doação de órgãos e tecidos, pois quando você comunica à sua família e amigos que é um doador de órgãos, você facilita o processo de transplantes e pode salvar muitas vidas.

Simpósio terá foco em comunicação e na entrevista familiar

Voltado aos profissionais de saúde, a Central Estadual de Transplantes (CET-ES) promove no dia 24 de setembro o 9º Simpósio Estadual das Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes (e-DOTs). O encontro, que terá minicursos sobre Comunicação e entrevista familiar, será realizado no auditório Sebrae/ES, sede de Vitória, das 8 às 17h. Ao longo do mês, a CET-ES apoia outras ações voltadas à capacitação dos profissionais de saúde.

Dados sobre doação no Estado

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Fonte: CET-ES/SESA

Durante o primeiro semestre de 2026, os dados da CET-ES mostram avanços importantes na política estadual de transplantes, especialmente no fortalecimento da captação de órgãos e no aumento da atividade transplantadora. O número de doadores elegíveis passou de 97 no primeiro semestre de 2025 para 105 em 2026; o número de entrevistas familiares foi de 88 para 102; e as doações efetivas passaram de 35 para 38. 

Outro importante avanço está no crescimento do transplante de órgãos sólidos, que passou de 72 em 2025 para 112 em 2026, com destaque para o transplante renal com doador falecido (aumento de 26 para 59 procedimentos) e hepático (aumento de 27 para 34 procedimentos).

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