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De Bethânia a Laíla: os desfiles que marcaram os últimos títulos do Grupo Especial

Na Passarela do Samba, o passado recente serve de termômetro para medir o nível de exigência do presente

Foto: Alexandre Loureiro/Riotur

Por
Adriano Dias
Riotur

Os desfiles do Grupo Especial carregam, a cada edição, uma combinação de expectativa, memória e renovação. Na Passarela do Samba, o passado recente serve de termômetro para medir o nível de exigência do presente. Os últimos campeões do Grupo Especial ajudam a entender como o espetáculo evoluiu nos enredos, na estética e na forma de contar histórias, apontando caminhos para o que o público espera ver novamente na avenida. Venha conferir com a gente como foram os últimos desfiles que já estão eternizados na galeria de momentos históricos do maior show da Terra.

2016
Mangueira

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Foto: Liesa Fat Press

A Estação Primeira de Mangueira foi a campeã do Grupo Especial do Carnaval de 2016. Para encerrar um jejum de 14 anos, a agremiação trouxe o enredo “Maria Bethânia: A menina dos olhos de Oyá”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, homenageando as cinco décadas de carreira da cantora Maria Bethânia. Naquele ano, além da Mangueira, Unidos da Tijuca, Portela, Salgueiro, Beija-Flor e Imperatriz marcaram presença no Sábado das Campeãs.

2017
Portela e Mocidade

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Fotos: Luiz Alvarenga / Riotur
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Fotos: Fernando Grili/ Riotur

Nesta edição, duas agremiações dividiram a glória máxima do Carnaval carioca. A Portela quebrou um jejum de 33 anos sem títulos ao levar para a Sapucaí o enredo “Quem Nunca Sentiu o Corpo Arrepiar Ao Ver Esse Rio Passar…”, que abordou a relação histórica da humanidade com os rios, passando por lendas e religiosidades. A outra campeã foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, que fez uma conexão com Marrocos por meio do enredo “As Mil e Uma Noites de uma ‘Mocidade’ pra lá de Marrakesh”. Imperatriz, Grande Rio, Salgueiro e Beija-Flor se juntaram a Portela e Mocidade no Desfile das Campeãs.

2018
Beija-Flor

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Foto: Raphael David | Riotur

Com forte crítica social no enredo “Monstro é aquele que não sabe amar (Os filhos abandonados da pátria que os pariu)”, a Beija-Flor uniu referências ao romance Frankenstein às mazelas sociais brasileiras e conquistou seu 14º título do Carnaval. A escola levou para a avenida alas emblemáticas, como a dos “roedores dos cofres públicos” e a dos “lobos em pele de cordeiro”, em alusão à classe política. Paraíso do Tuiuti, Salgueiro, Portela, Mangueira e Mocidade completaram o Top 6 e encerraram a festa no Sábado das Campeãs.

2019
Mangueira

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Foto: Acervo LIESA

Com o enredo “História pra Ninar Gente Grande”, a Mangueira voltou a conquistar o título do Carnaval carioca pela 20ª vez. A verde e rosa promoveu uma revisão da história oficial, exaltando lideranças populares negligenciadas, e desconstruindo figuras tradicionalmente tratadas como heróicas. Além da Mangueira, Viradouro, Vila Isabel, Portela, Salgueiro e Mocidade desfilaram no Sábado das Campeãs.

2020
Viradouro

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Foto: Fernando Grilli / Riotur

A história do grupo das Ganhadeiras de Itapuã levou a Unidos do Viradouro a conquistar seu segundo título. Com o enredo “Viradouro de Alma Lavada”, a escola de Niterói apresentou o legado de mulheres negras que lavavam roupas na Lagoa do Abaeté, em Salvador, e realizavam outros trabalhos em busca da compra de suas alforrias. O Top 6 foi completado por Grande Rio, Mocidade, Beija-Flor, Salgueiro e Mangueira.

2021

Em virtude das restrições impostas pela pandemia de Covid-19, os desfiles do Grupo Especial foram cancelados neste ano.

2022
Acadêmicos do Grande Rio

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Foto: Riotur / Divulgação

No retorno dos desfiles após a pandemia, a Acadêmicos do Grande Rio conquistou seu primeiro campeonato ao celebrar as tradições afro-brasileiras com o enredo “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”. A agremiação da Baixada Fluminense homenageou a divindade Exu e combateu a intolerância religiosa, desmistificando preconceitos contra as religiões de matriz africana. Além da Grande Rio, Beija-Flor, Viradouro, Vila Isabel, Portela e Salgueiro desfilaram no Sábado das Campeãs.

2023
Imperatriz

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Foto: Gabriel Monteiro / Riotur

O “Rei do Cangaço” fez a Imperatriz Leopoldinense voltar a festejar um título após mais de duas décadas. Com o enredo “O Aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarda”, inspirado na literatura de cordel sobre o destino de Lampião após a morte, a escola conquistou a avenida. O Desfile das Campeãs contou ainda com Viradouro, Vila Isabel, Beija-Flor, Mangueira e Grande Rio.

2024
Viradouro

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Foto: Marco Terranova / Riotur

O tricampeonato da Viradouro veio com o enredo “Arroboboi, Dangbé”, que apresentou as serpentes como objeto de culto nas tradições africanas. Em sistemas de crença como o da nação jeje, o réptil simboliza regeneração, vida, transformação e recomeço. Além da escola de Niterói, Imperatriz, Grande Rio, Salgueiro, Portela e Vila Isabel retornaram para o Sábado das Campeãs.

2025
Beija-Flor

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Foto: Alexandre Loureiro / Riotur

A homenagem ao legado do carnavalesco Laíla garantiu à Beija-Flor de Nilópolis o seu 15º campeonato. Com o enredo “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, a escola celebrou a fé em Xangô e a trajetória do carnavalesco, culminando em um reencontro simbólico com Joãosinho Trinta no plano espiritual. O desfile também marcou a despedida de Neguinho da Beija-Flor da Marquês de Sapucaí. Além da campeã, Mangueira, Portela, Viradouro, Imperatriz e Grande Rio participaram do Sábado das Campeãs.

Com esse retrospecto recente, o Carnaval deste ano chega cercado de altas expectativas. Nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, novas histórias serão contadas em três noites de desfiles que prometem entrar para a história da Marquês de Sapucaí.

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