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ES celebra redução contínua de gravidez na adolescência

O Espírito Santo tem trabalhado em ações que envolvem a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e a Atenção Primária nos municípios

Arte: Sesa/Divulgação

Na Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que acontece de 1º a 7 de fevereiro, a Secretaria de Saúde (Sesa) lembra que em mais um ano consecutivo o Espírito Santo alcança a importante marca para a saúde pública capixaba: a redução no número de casos de gravidez na adolescência. Em 2025, foram 4.650 partos de nascidos vivos de mães com idades entre 10 e 19 anos, uma redução de 10,8%, quando comparados ao ano de 2024, que registrou de 5.213 partos. Os dados são do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

O Estado tem trabalhado em ações que envolvem a Secretaria da Saúde (Sesa), com a Atenção Primária (APS) nos municípios, com resultados positivos mantendo a redução contínua dos casos de gestação em adolescentes, demonstrando avanços no enfrentamento dessa questão com o objetivo de sensibilizar e informar a sociedade sobre a importância da prevenção da gravidez precoce em adolescentes. Apesar disso, o fato ainda requer atenção, especialmente em regiões mais vulneráveis, onde os desafios são maiores.

Para o médico ginecologista e referência técnica da Saúde da Mulher na ‘Rede Alyne’ da Sesa, Eduardo Pereira Soares, a gravidez na adolescência representa um desafio relevante para a saúde pública, por ocorrer em uma etapa da vida marcada por intensas mudanças físicas, emocionais e sociais, essa condição exige atenção especial dos serviços de saúde e das políticas públicas.

“A prevenção é fundamental e passa, sobretudo, pelo acesso à informação e ao cuidado. É importante que haja o debate contínuo sobre sexualidade, sexo seguro e métodos contraceptivos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), aliado ao envolvimento das famílias e à realização de encontros coletivos, fortalece a autonomia das adolescentes e reduz riscos. Já nos casos em que a gestação ocorre, o acolhimento adequado é essencial, com captação precoce no pré-natal, estímulo à adesão ao acompanhamento e garantia de assistência qualificada ao parto e ao nascimento da criança”, ressalta o médico ginecologista Eduardo.

Sob a perspectiva clínica, o fato de o corpo da adolescente ainda estar em desenvolvimento aumenta a probabilidade de intercorrências durante a gestação e o parto. Entre os principais riscos estão anemia, infecções, hipertensão gestacional, parto prematuro e recém-nascidos com baixo peso. Soma-se a isso a dificuldade de adesão ao pré-natal, que muitas vezes é iniciado de forma tardia ou irregular, comprometendo o acompanhamento adequado da gravidez.

Além dos impactos biológicos, a gestação precoce provoca efeitos significativos no âmbito social e emocional. A interrupção dos estudos, a redução de perspectivas profissionais e a dependência econômica são consequências frequentes, que contribuem para a manutenção de situações de vulnerabilidade social. Esses fatores também repercutem na sociedade, ampliando a demanda por serviços de saúde, assistência social e educação.

As repercussões alcançam ainda a vida da criança, que pode enfrentar maiores riscos à saúde nos primeiros anos, bem como dificuldades no desenvolvimento emocional e social, especialmente quando a mãe não conta com uma rede de apoio estruturada.

“Diante desse cenário, o enfrentamento da gravidez na adolescência passa pela adoção de estratégias preventivas, como a educação sexual com base em informação de qualidade, a ampliação do acesso a métodos contraceptivos e o acolhimento dos adolescentes nos serviços de saúde. Essas ações são fundamentais para promover cuidado, orientação e proteção, contribuindo para um futuro mais saudável para mães, filhos e para a sociedade como um todo”, discursa o médico.

A ampliação do acesso à informação e à orientação voltada ao público jovem conta também com o apoio do Programa Saúde na Escola (PSE), uma política pública desenvolvida nos 78 municípios do Espírito Santo, alcançando 2.101 escolas da rede pública. A iniciativa é executada de forma integrada por profissionais da Atenção Primária à Saúde e da educação básica, com articulação entre as Secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu).

Entre suas estratégias de atuação, o PSE inclui ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva, com foco na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e do HIV. O tema compõe o conjunto das 14 ações estruturantes do programa e figura entre as cinco prioridades estabelecidas para o ciclo 2025–2026.

Conforme os dados públicos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), o Programa Saúde na Escola (PSE) no Estado do Espírito Santo registrou, em 2025, a realização de 1.226 atividades coletivas com o tema ‘Saúde sexual e reprodutiva’. Essas ações educativas envolveram a participação de 76.255 estudantes nas escolas.

A referência técnica do PSE na Secretaria da Saúde (Sesa), Josymara Siqueira Duque, destaca a relevância da abordagem dos direitos sexuais e reprodutivos no ambiente escolar, considerando que as escolas se configuram como espaços privilegiados para o acesso à informação qualificada.

“Nesse contexto, tornam-se ambientes estratégicos para o desenvolvimento de ações educativas, com criação de espaços de escuta, acolhimento e respeito. As ações podem contribuir para a desconstrução de tabus, mitos e estigmas historicamente associados à sexualidade, ao mesmo tempo em que possibilita a adolescentes e jovens condições para realizar escolhas mais conscientes e vivenciar sua sexualidade de forma plena, segura e responsável, reduzindo riscos como a infecção por infecções sexualmente transmissíveis (IST), a exposição a situações de violência, coerção e discriminação, bem como a ocorrência de gestações não planejadas, entre outros agravos à saúde e ao bem-estar”, ressaltou Josymara.

Atenção Primária

As unidades básicas de saúde (UBS) executam um conjunto estruturado de ações voltadas à promoção, proteção e atenção integral à saúde sexual e reprodutiva, alinhadas às diretrizes do Sistema Único de Saúde. Essas ações contemplam a oferta regular de medicamentos e insumos estratégicos para a prevenção e o tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), incluindo a sífilis, bem como a disponibilização de preservativos e de métodos contraceptivos, assegurando o acesso equitativo da população.

No âmbito da assistência diagnóstica, as UBS realizam exames laboratoriais e testes sorológicos para IST, essenciais para o acompanhamento clínico, a detecção precoce e o monitoramento das condições de saúde. Esse cuidado é integrado ao atendimento médico e de enfermagem, que ocorre de forma individualizada, com orientações qualificadas sobre saúde sexual e reprodutiva, prevenção de agravos e redução dos riscos relacionados à gravidez na adolescência.

Também são desenvolvidas ações educativas e de promoção da saúde, por meio de atividades coletivas direcionadas a adolescentes, jovens, familiares e responsáveis, realizadas tanto no espaço das unidades quanto em escolas e nos territórios. Quando identificadas situações de vulnerabilidade social ou necessidade de acompanhamento ampliado, as equipes de saúde também realizam visitas domiciliares, fortalecendo o vínculo com as famílias e garantindo a continuidade do cuidado.

Entre as iniciativas realizadas pelas Unidades Básicas de Saúde destacam-se o acolhimento com captação precoce da gestante adolescente para sua assistência pré-natal, contando para isso com equipe multiprofissional e papel estratégico dos agentes comunitários de saúde e a criação de mecanismos para estimular a adesão ao acompanhamento pré-natal, assim como assegurar uma assistência adequada ao parto e nascimento.

A referência técnica em Saúde da Mulher da atenção primária da Sesa, Christiani Pontara Faé, reforça a importância dessas iniciativas.

“A Atenção Primária à Saúde assume papel estratégico, por ser a principal porta de entrada do SUS, responsável pelo desenvolvimento de ações educativas, acolhimento, aconselhamento e oferta de métodos contraceptivos. A incorporação do implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel (Implanon), novo método contraceptivo de longa duração no SUS, fortalece as ações de planejamento reprodutivo e contribui para a redução desses índices”, disse a referência técnica.

O implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel é um método contraceptivo considerado vantajoso em relação aos já existentes por sua longa duração (age no organismo por até três anos) e alta eficácia. O método foi incorporado pelo Ministério da Saúde para implementação no Sistema Único de Saúde (SUS) a fim de integrar as iniciativas de fortalecimento da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, com foco na redução da gravidez não planejada e na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos. O público elegível é formado por adolescentes e mulheres de 14 a 49 anos.

Atualmente, o SUS disponibiliza os seguintes métodos contraceptivos: preservativos externo e interno; DIU de cobre; anticoncepcional oral combinado; pílula oral de progestagênio; injetáveis hormonais mensal e trimestral; laqueadura tubária bilateral e vasectomia. Entre esses, apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Partos em crianças e adolescentes nos hospitais estaduais

No Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, em 2025, foram realizados 242 partos em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos. Em 2026, de 1º a 23 de janeiro, 13 partos foram realizados em crianças e adolescentes na unidade. Já no mesmo período em 2025, foram 7 partos realizados em crianças e adolescentes.

O Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), teve registrados 112 partos em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos em 2025. Já em 2026, de 1º a 23 de janeiro, 03 partos foram realizados. No mesmo período em 2025, foram realizados 06 partos em crianças e adolescentes no Himaba.

Partos no Espírito Santo

De acordo com o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) no Espírito Santo em 2020, foram registrados 6.842 partos de nascidos vivos de mães com idade entre 10 e 19 anos em todo o Estado. Já em 2025, foram realizados 4.650 partos de nascidos vivos de meninas com esta mesma idade.

Ano do nascimento Total de nascidos vivos
20206.842
20216.508
20225.724
20235.568
20245.213
20254.650

*Em 21/01/2026

Ações realizadas pelo Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves

O Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves trabalha com o projeto “Jayme Itinerante”, que promove educação e prevenção em saúde junto à comunidade. A iniciativa aborda temas, como queimaduras, drogas, bullying, ISTs, tuberculose.

Nesse período da Semana Nacional de Prevenção a Gravidez na Adolescência, a unidade estará levando conhecimento preventivo sobre o assunto gravidez na adolescência para além do ambiente hospitalar, por meio de seus profissionais.

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