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Medalhista de ouro em Matemática, professor mateense vai para missão de estudos na China

Classificado como um dos 20 melhores professores de Matemática do Brasil, Carlos Alberto Afonso de Almeida Júnior leciona na Escola Estadual de Ensino Médio Ceciliano Abel de Almeida

Foto: Divulgação

Docente de Matemática na Escola Estadual de Ensino Médio Ceciliano Abel de Almeida, em São Mateus, o professor Carlos Alberto Afonso de Almeida Júnior sagrou-se medalhista de ouro na Olimpíada Brasileira de Professores de Matemática (OPMbr) 2025. Esta foi a segunda edição da competição e a primeira inscrição do docente. A conquista inédita coloca o professor entre os 20 melhores do Brasil e garante a ele uma viagem pedagógica a Xangai, China, entre 2 e 16 de maio de 2026, para imersão no modelo educacional local.

A OPMbr, iniciativa que recebeu mais de 1.200 inscrições de docentes de todo o país, tem como principal objetivo valorizar os professores, promover sua formação continuada e estimular o ensino de Matemática de alta qualidade, com a ideia de selecionar educadores com competências específicas e fomentar conexões com a matemática e a educação chinesas.

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Carlos foi incentivado por um desafio lançado por estudantes -Foto: Divulgação

Da promessa aos pulos de alegria

“O interesse pelo certame surgiu em 2024, quando o professor Carlos acompanhou até Vitória os alunos da então 3ª série Larry Felipe Silva Gonçalves, medalhista de prata, e Ed Marlon de Souza, medalhista de bronze, para a cerimônia da OBMEP daquele ano”, registra mensagem enviada ao Hora da Notícia Online pelo professor Nilton Ribeiro.

Durante a viagem, em uma conversa descontraída, os estudantes o cobraram: “Professor, você devia participar também!”. O professor, então, brincou em resposta: “Se existisse olimpíada para professores, eu me inscreveria e ganharia a medalha de ouro”. No próprio evento em Vitória, descobriram que a OPMbr existia. “Assim, fui ‘meio obrigado’ [risos] a participar”, relembra.

Em março de 2025, movido pelo entusiasmo e pela promessa feita aos alunos, ele formalizou sua inscrição. “Isso me motivou muito”, afirmou.

O processo seletivo foi rigoroso, dividido em três fases. A primeira fase consistiu em uma prova discursiva online de alta complexidade, com duração de três horas, que o professor Carlos resolveu em apenas uma hora e meia. Desse desafio, apenas 120 professores foram aprovados para a etapa seguinte.

“Quando soube que passei da primeira fase, confessei para minha esposa que queria muito chegar à segunda. A adrenalina da vitória tomou conta de mim! Lembrei da promessa aos alunos em 2024”, contou.

segunda fase, em julho, exigiu que os participantes enviassem um vídeo de cinco minutos, no qual deveriam se apresentar, mostrar práticas exitosas do último ano e evidenciar reconhecimento dos pares e dos estudantes.

“Depois de muita ansiedade, veio o resultado positivo e, assim, a confiança e a esperança foram aumentando. Comecei a acreditar ainda mais que cumpriria minha promessa a Larry e Ed”, relatou.

Em setembro, a terceira fase foi uma entrevista online conduzida por quatro professores doutores representantes da instituição das olimpíadas, que ele descreveu como “um momento de muita tensão e ansiedade”.

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Carlos reúne elogios de estudantes pela forma como ensina Matemática -Foto: Divulgação

O resultado final foi divulgado em uma live no início do mês.

“Estava contando as horas. Sabia que já era medalhista, porém, não sabia qual. Meu nome não estava na lista de bronze. Falei: ‘Opa, será de prata?’. Nada. Fiquei eufórico e apreensivo: ‘Está na de ouro ou não?’. Mas, assim que soltaram a lista e o perfil dos ganhadores da de ouro, lá estava eu. Fiz um print rápido e compartilhei! De muitos pulos de alegria!”, descreveu, sobre o ápice da emocionante trajetória.

Sentimento de conquista coletiva

Ao ser questionado sobre o que sentiu ao ver seu nome na lista de ouro, o professor foi enfático: “Foi um sentimento de orgulho coletivo, pois todos da comunidade escolar contribuíram para este ganho. Foi fruto de uma construção coletiva, estar na lista dos 20 medalhistas de ouro do Brasil”.

Ele ainda fez questão de ressalvar: “Em tempo, não gosto do termo ‘os 20 melhores’, pois temos professores competentes e muito melhores que eu nesse Brasil imenso”.

Além da medalha, que, conforme a organização da (OPMbr), será entregue apenas em fevereiro de 2026, a premiação inclui a viagem à China. “Os 20 medalhistas de ouro vão para Xangai com o objetivo de visitar universidades, conhecer o modelo educacional, participar de palestras e visitações em geral em busca de conhecer o modelo de educação chinês. Ou seja, teremos medalha e viagem para a China”, explicou.

Sobre o que espera aprender e trazer para o Brasil, em especial para a educação mateense e capixaba, ele vislumbra:

“A compreensão de coisas para criar as nossas próprias políticas em nosso contexto, melhorando nosso sistema educacional. Buscar inovação e adaptar ao nosso sistema. Fazer um ótimo benchmarking e buscar adaptar ao nosso contexto educacional, em vista à melhoria dos rendimentos de nossos alunos”.

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Em seus agradecimentos, o medalhista citou os alunos que o incentivaram, os colegas de Matemática que o apoiaram, todos os funcionários da escola que acreditaram nele e, de forma especial, à diretora Larissa Vitorino -Foto: Divulgação

Legado da vitória

O professor Carlos avalia que o ganho desta conquista extrapola o âmbito pessoal. “

É trazer visibilidade para a educação de São Mateus, para que o Estado possa trazer mais investimentos. Mostrar a competência dos professores que estão espalhados pelo Brasil inteiro. É um motivo para outros se inscreverem”, enumerou.

Ele também destacou o efeito sobre os alunos – “estão estudando com um dos melhores professores do país” –, a contribuição para a melhoria na aprendizagem, a motivação para colegas participarem de próximas edições e o reconhecimento das práticas da escola.

Para os demais colegas professores de matemática, sua dica é simples e direta: “Coragem para participar, pois cada um tem suas práticas exitosas e tem as mesmas competências”.

Agradecimentos, orgulho e privilégio

Em seus agradecimentos, o medalhista citou os alunos que o incentivaram, os colegas de Matemática que o apoiaram, todos os funcionários da escola que acreditaram nele e, de forma especial, à diretora Larissa Vitorino. “Ela foi uma grande parceira e esteio em todas as fases da OPMbr”, finalizou, com gratidão.

Conforme a Diretora Larissa Vitorino, “esta conquista do Professor Carlos enche nossa escola de orgulho! Ele personifica a excelência dos professores da rede pública e mostra aos nossos alunos que a educação transforma destinos. Agora, levará nosso nome à China e trará na bagagem inovações que fortalecerão ainda mais o ensino em nossa comunidade.”

A egressa Thamirys Oliveira destaca que ter sido aluna do Professor Carlos foi um privilégio. “Sua paixão pela Matemática é contagiante e suas aulas eram desafiadoras. Ele não apenas ensinava conteúdo, mas nos incentivava a superar nossos limites. Ver seu sucesso hoje me inspira ainda mais!”

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A medalha será entregue em fevereiro, enquanto a viagem está programada para maio do ano que vem -Foto: Divulgação

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