{"id":9355,"date":"2025-05-25T11:54:50","date_gmt":"2025-05-25T14:54:50","guid":{"rendered":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=9355"},"modified":"2025-05-25T11:54:50","modified_gmt":"2025-05-25T14:54:50","slug":"saiba-como-se-formaram-a-margem-equatorial-e-o-petroleo-da-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=9355","title":{"rendered":"Saiba como se formaram a Margem Equatorial e o petr\u00f3leo da regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:24px\"><em>Costa norte do Brasil surge com fragmenta\u00e7\u00e3o de supercontinente<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:13px\">Arte: <strong>Petrobras \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por<br><strong>VITOR ABDALA<\/strong><br>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Margem Equatorial brasileira tem ocupado o notici\u00e1rio nos \u00faltimos meses, por conta das diverg\u00eancias sobre a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Rio Amazonas. Na verdade, esse trecho da costa brasileira, voltado para o norte e pr\u00f3ximo da linha do Equador, j\u00e1 vem atraindo interesse da ind\u00fastria petrol\u00edfera h\u00e1 alguns anos, por seu potencial petrol\u00edfero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As recentes descobertas de reservas de petr\u00f3leo no litoral das Guianas chamaram ainda mais a aten\u00e7\u00e3o para essa nova fronteira explorat\u00f3ria do pa\u00eds, especialmente para a regi\u00e3o mais pr\u00f3xima desses pa\u00edses, a bacia da Foz do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expectativa do Minist\u00e9rio de Minas e Energia \u00e9 de que a Margem Equatorial se torne um novo pr\u00e9-sal. As reservas estimadas s\u00e3o de pelo menos 30 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, segundo a Petrobras, citando dados da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP). Al\u00e9m da Foz do Amazonas, h\u00e1 outras quatro bacias neste trecho da costa (Potiguar, Cear\u00e1, Barreirinhas e Par\u00e1-Maranh\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas por que essa parte da costa brasileira \u00e9 t\u00e3o promissora para a exist\u00eancia de reservas de petr\u00f3leo? Para entender, \u00e9 preciso saber como essa regi\u00e3o se originou e compreender como se formam os campos petrol\u00edferos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje a costa equatorial brasileira \u00e9 conhecida principalmente por suas belezas naturais, como as praias do Nordeste, os Len\u00e7\u00f3is Maranhenses e as florestas do Delta do Amazonas. Mas nem sempre foi assim. A conforma\u00e7\u00e3o atual do litoral brasileiro, na verdade, \u00e9 relativamente recente, se comparada com a idade do Planeta Terra (estimada em 4,6 bilh\u00f5es de anos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 130 milh\u00f5es de anos, essa parte do pa\u00eds n\u00e3o estava localizada em uma costa, mas em um interior des\u00e9rtico. Naquela \u00e9poca, a Am\u00e9rica do Sul nem existia como um continente separado. O que hoje se conhece como Brasil era parte de um outro continente, a Gondwana, uma gigantesca massa de terra que inclu\u00eda tamb\u00e9m a \u00c1frica, a Ant\u00e1rtida, a Austr\u00e1lia e o subcontinente indiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Atl\u00e2ntico Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o n\u00e3o tinha contato com o Oceano Atl\u00e2ntico, at\u00e9 porque a parte sul do oceano simplesmente nem sequer existia nesse per\u00edodo. Por volta de 130 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, no entanto, movimentos do magma abaixo da crosta terrestre come\u00e7aram a for\u00e7ar a separa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em toda a hist\u00f3ria geol\u00f3gica do planeta Terra, movimentos de placas tect\u00f4nicas ocorreram e continuam ocorrendo, uma vez que a crosta terrestre flutua, como placas fragmentadas, sobre o magma, um fluido viscoso. H\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es de anos, por exemplo, a Gondwana fazia parte de um outro supercontinente, a Pangeia, mas movimentos tect\u00f4nicos ocorridos na passagem do per\u00edodo Tri\u00e1ssico para o Jur\u00e1ssico forjaram o surgimento da Am\u00e9rica do Norte e a abertura do Atl\u00e2ntico Norte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse evento deixou algumas marcas de vulcanismo inclusive no territ\u00f3rio brasileiro. Uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica chamada de gr\u00e1ben (depress\u00e3o) de Cal\u00e7oene mostra que nessa \u00e9poca formou-se um rift (uma fratura na crosta terrestre), na Foz do Amazonas, mas que n\u00e3o evoluiu a ponto de despeda\u00e7ar a Gondwana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas dezenas de milh\u00f5es de anos depois, foi a vez de a parte oriental da Gondwana se desprender do continente, originando o subcontinente indiano, a Ant\u00e1rtida e a Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Gondwana ocidental inicialmente manteve-se unida, mas logo suas duas partes constituintes, as placas da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica, tamb\u00e9m come\u00e7aram a ser for\u00e7adas em dire\u00e7\u00f5es opostas, no in\u00edcio do Cret\u00e1ceo Inferior (per\u00edodo geol\u00f3gico que se estende de 145 milh\u00f5es a 100,5 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo de uma falha tect\u00f4nica com milhares de quil\u00f4metros, essas placas come\u00e7aram a se distanciar e a criar o Atl\u00e2ntico Sul. A separa\u00e7\u00e3o se deu em diferentes frentes, iniciando-se pelo sul do continente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO processo de abertura do Atl\u00e2ntico [Sul] se iniciou de 130 a 120 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. A \u00faltima parte a desprender mesmo foi a por\u00e7\u00e3o ali da Margem Equatorial\u201d, explica o pesquisador do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brasileiro (SGB) Eugenio Fraz\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Fragmenta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Margem Equatorial, o processo de separa\u00e7\u00e3o levou cerca de 20 milh\u00f5es de anos, em pelo menos duas frentes, segundo o ge\u00f3logo Adilson Viana Soares J\u00fanior. Professor da Universidade Federal do Estado de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e presidente do n\u00facleo paulista da Sociedade Brasileira de Geologia (SBGeo), Soares J\u00fanior estudou a margem equatorial por v\u00e1rios anos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c[A Margem Equatorial] come\u00e7ou a quebrar a partir do noroeste e foi seguindo para dentro do continente. Ou seja, veio das Guianas, do Amap\u00e1, entrou no Par\u00e1, Maranh\u00e3o e depois seguiu para o Rio Grande do Norte. [A fragmenta\u00e7\u00e3o] veio progredindo tamb\u00e9m de sudeste para noroeste, ali da Bacia de Potiguar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Bacia da Foz do Amazonas\u201d, explica o ge\u00f3logo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, essa fragmenta\u00e7\u00e3o aconteceu no chamado Cret\u00e1ceo Inferior, entre as idades geol\u00f3gicas do Barremiano (de 125,8 milh\u00f5es a 121 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) e do Albiano (de 113 milh\u00f5es a 100,5 milh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNo final do Aptiano [de 121 milh\u00f5es a 113 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s], j\u00e1 entrando para o Albiano, teve a jun\u00e7\u00e3o desses dois sistemas, o sistema que vinha de Potiguar para a Foz do Amazonas se juntou com que vinha da Foz do Amazonas para Potiguar e viraram um s\u00f3. Dois rasgos, dois rifts viraram um s\u00f3, j\u00e1 no Albiano\u201d, conta Soares J\u00fanior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Mares interiores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse processo, mesmo antes da abertura total do Atl\u00e2ntico Sul, come\u00e7aram a surgir mares interiores, imensos lagos, ricos em biota (conjunto de seres vivos). Ao mesmo tempo, toneladas de sedimentos, como silte, argila e mat\u00e9ria org\u00e2nica, eram despejados nesses sistemas aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estavam unidos ali os dois ingredientes b\u00e1sicos para a forma\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e g\u00e1s: sedimentos e biota. \u00c9 nesse per\u00edodo de separa\u00e7\u00e3o final da \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul que se deposita a maior parte dos sedimentos que gerar\u00e3o o petr\u00f3leo nesse trecho do litoral brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 nesse momento que os mares [na zona de fragmenta\u00e7\u00e3o] est\u00e3o surgindo, que voc\u00ea tem um boom de vida. Esses organismos v\u00e3o morrendo e se depositando no fundo marinho, junto com o sedimento\u201d, diz o geof\u00edsico Victor Lopes, do SGB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes do in\u00edcio da fragmenta\u00e7\u00e3o da Gondwana Ocidental, afirma Soares J\u00fanior, n\u00e3o havia as condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o dessas rochas geradoras. \u201cAntes do rifteamento [fraturamento] n\u00e3o tinha o buraco em que formou a bacia. Era um grande deserto, s\u00f3 areia. N\u00e3o tinha mar. E as rochas geradoras sempre se formam em ambiente marinho ou lacustre.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas n\u00e3o basta somente uma colossal mistura de sedimentos com mat\u00e9ria org\u00e2nica morta para gerar o petr\u00f3leo. \u00c9 preciso contar com mais alguns eventos qu\u00edmicos e geol\u00f3gicos, n\u00e3o apenas para formar o hidrocarboneto, como tamb\u00e9m para reserv\u00e1-lo e impedir que ele se disperse no oceano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Dinossauros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de a forma\u00e7\u00e3o dos campos petrol\u00edferos da Margem Equatorial estar associada ao Cret\u00e1ceo, quando os dinossauros ainda eram os principais representantes da megafauna terrestre, n\u00e3o \u00e9 correto dizer que petr\u00f3leo \u00e9 \u201cf\u00f3ssil de dinossauro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior parte do petr\u00f3leo tem origem em micro-organismos, como os fitopl\u00e2nctons e zoopl\u00e2nctons, ou seja, protistas como algas e protozo\u00e1rios que vivem flutuando nas \u00e1guas. Ao morrerem, esses organismos se depositam no fundo de lagos e oceanos, sendo soterrados pelos sedimentos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa hist\u00f3ria de petr\u00f3leo vir dos dinossauros \u00e9 totalmente mito. Ele vem sempre de micro-organismos. S\u00e3o fitopl\u00e2nctons e zoopl\u00e2nctons que se proliferam e t\u00eam grande mortandade. Eles v\u00e3o morrendo e se acumulando junto com o sedimento [no fundo do mar e dos lagos]\u201d, destaca Soares J\u00fanior.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de serem min\u00fasculos, micro-organismos representam a maior parte da biomassa marinha do Planeta. Ou seja, em conjunto, eles pesam mais do que os grandes animais, como baleias ou tubar\u00f5es. Estudo publicado em 2019, por pesquisadores do Instituto de Ci\u00eancias Weizmann, de Israel, estimou que organismos unicelulares (protistas e procariotos) contribuem aproximadamente com dois ter\u00e7os da biomassa marinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordenador do Instituto Tecnol\u00f3gico de Paleoceanografia e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (ITT Oceaneons), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Gerson Fauth destaca que, no momento em que as placas da \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul come\u00e7aram a se separar, apareceram, inicialmente, lagos entre essas duas massas continentais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAntes de chegar o mar [Oceano Atl\u00e2ntico], existiam lagos com deposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica. Nesses lagos j\u00e1 tinham organismos chamados de ostracodes, microcrust\u00e1ceos que viviam no fundo desses lagos\u201d, explica Fauth.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme os dois continentes v\u00e3o se separando, come\u00e7a a haver a entrada tamb\u00e9m de outros tipos de organismos, junto com a \u00e1gua dos oceanos. \u201cO mar come\u00e7ou lentamente a entrar e trazer tamb\u00e9m uma fauna e uma flora de organismos muito pequenos. Destaco os foramin\u00edferos [protozo\u00e1rios unicelulares com carapa\u00e7as] e os dinoflagelados [algas unicelulares]\u201d, ressalta o coordenador do ITT Oceaneons.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez soterrada pelos sedimentos, compostos por material fino como argila e silte, essa mat\u00e9ria org\u00e2nica precisa estar em um ambiente an\u00f3xico (ou seja, sem oxig\u00eanio ou com baixa concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s) para evitar sua degrada\u00e7\u00e3o por outros seres vivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Sistema petrol\u00edfero<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o passar dos anos, novos sedimentos v\u00e3o sendo depositados sobre essa camada sedimentar com a mat\u00e9ria org\u00e2nica, aumentando a temperatura e a press\u00e3o sobre ela. Nesse processo, forma-se a chamada rocha geradora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O componente org\u00e2nico dessa rocha s\u00e3o os restos das mol\u00e9culas que formavam a estrutura b\u00e1sica dos seres vivos: prote\u00ednas, a\u00e7\u00facares, \u00e1cidos nucleicos e gorduras. O que todos esses compostos org\u00e2nicos t\u00eam em comum \u00e9 a grande quantidade de \u00e1tomos de carbono e hidrog\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Submetida \u00e0s altas press\u00e3o e temperatura dos sedimentos depositados acima, lentamente, essa mat\u00e9ria org\u00e2nica se transforma em petr\u00f3leo e g\u00e1s, chamados de hidrocarbonetos porque s\u00e3o compostos formados principalmente por cadeias de carbono e hidrog\u00eanio. Esse processo, chamado de catag\u00eanese, pode levar dezenas de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 apenas a primeira pe\u00e7a de um sistema petrol\u00edfero. Uma vez formado, o petr\u00f3leo come\u00e7a a se infiltrar por fissuras na rocha geradora e a migrar. Sendo menos densos que a \u00e1gua, tanto o \u00f3leo quanto o g\u00e1s tendem a buscar a superf\u00edcie, como se fossem as bolhas de ar que soltamos quando estamos submersos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse processo, ele vai se infiltrando, no decorrer de um longo tempo, pelos poros da rocha at\u00e9 atingir um local onde fica preso. Esse local, chamado de rocha reservat\u00f3rio, \u00e9 selado por uma camada rochosa imperme\u00e1vel, que impede a sa\u00edda do \u00f3leo, chamada de capeadora (ou selante).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO sistema petrol\u00edfero precisa ter a rocha geradora embaixo, a reservat\u00f3rio no meio e a selante em cima. Quando ele n\u00e3o consegue passar para a superf\u00edcie, ele come\u00e7a a se acumular em grandes bols\u00f5es dentro da rocha reservat\u00f3rio. Isso \u00e9 algo que ocorre ao longo de um tempo grande, ao longo de milh\u00f5es de anos\u201d, explica Soares J\u00fanior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reservat\u00f3rio precisa estar em uma trapa, isto \u00e9, um local que seja selado n\u00e3o apenas em cima, mas tamb\u00e9m nas laterais, para impedir que o petr\u00f3leo escape pelos lados. Um outro elemento-chave do sistema petrol\u00edfero \u00e9 o sincronismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo precisa acontecer no momento certo para que o petr\u00f3leo seja reservado. Se n\u00e3o houver uma trapa quando o petr\u00f3leo formado iniciar sua migra\u00e7\u00e3o, ele se perder\u00e1 para sempre, espalhando-se na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Petr\u00f3leo equatorial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a ANP informou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, as principais forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas com potencial para gera\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Margem Equatorial s\u00e3o folhelhos formados ao longo de mais de 30 milh\u00f5es de anos ao longo do Cret\u00e1ceo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Folhelhos s\u00e3o rochas sedimentares formadas pela compacta\u00e7\u00e3o de sedimentos de gr\u00e3os finos, como argilas e siltes. \u00c9 uma esp\u00e9cie de lama tamb\u00e9m conhecida na ind\u00fastria petrol\u00edfera pelo nome em ingl\u00eas, shale, que, com o passar de milh\u00f5es de anos, se torna uma rocha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Foz do Amazonas, por exemplo, os principais geradores potenciais de petr\u00f3leo s\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas conhecidas como Cod\u00f3 e Limoeiro, que datam do Aptiano e do Cenomaniano-Turoniano (de 100,5 milh\u00f5es a 89,8 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma\u00e7\u00e3o mais antiga no entanto, \u00e9 Pend\u00eancia, na Bacia de Potiguar, que se formou com as primeiras movimenta\u00e7\u00f5es tect\u00f4nicas antes mesmo do in\u00edcio da abertura do Atl\u00e2ntico Sul, entre as idades do Berriasiano (de 145 milh\u00f5es a 139,8 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) e do Barremiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa forma\u00e7\u00e3o foi a primeira a se depositar nesta bacia, em ambiente totalmente continental (lagos e rios). Am\u00e9rica do sul e \u00c1frica estavam ainda coladas nessa regi\u00e3o. Ainda eram o mesmo continente e a bacia era apenas um lago na paisagem da \u00e9poca. O ambiente da forma\u00e7\u00e3o \u00e9 principalmente lacustre, com potencial pra depositar mat\u00e9ria org\u00e2nica e ser uma geradora, com sedimentos de rios nas bordas do lago\u201d, explica Soares J\u00fanior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As forma\u00e7\u00f5es posteriores j\u00e1 se desenvolvem a partir do momento em que o oceano estava se abrindo: Paracuru e Munda\u00fa (da Bacia do Cear\u00e1), que se desenvolveram no Aptiano; Alagamar (de Potiguar), que vai do Aptiano ao Albiano; o grupo Caju (da Bacia Par\u00e1-Maranh\u00e3o), cuja forma\u00e7\u00e3o se estende do Albiano ao Cenomaniano (de 100,5 milh\u00f5es a 93,9 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s); Pregui\u00e7as (da Bacia de Barreirinhas), que data do Cenomaniano; e Travosas (do Par\u00e1-Maranh\u00e3o e de Barreirinhas), que teria sido formada no Turoniano (de 93,9 milh\u00f5es a 89,8 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sedimenta\u00e7\u00e3o da Margem Equatorial n\u00e3o parou no per\u00edodo Cret\u00e1ceo Superior (de 100,5 milh\u00f5es a 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), mas adentrou a nossa atual era Cenozoica, e continua at\u00e9 hoje. Essa sedimenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua permitiu a forma\u00e7\u00e3o de rochas reservat\u00f3rios (mais porosas que as geradoras, como os arenitos) e das selantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A deposi\u00e7\u00e3o dos sedimentos que dariam origem aos reservat\u00f3rios potenciais conhecidos vai do Cret\u00e1ceo Inferior at\u00e9 pelo menos o Ne\u00f3geno (de 23,03 milh\u00f5es a 2,58 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), se considerarmos todas as bacias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio do que pode se pensar, o Rio Amazonas n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o de rochas geradoras de petr\u00f3leo conhecidas na bacia batizada com o nome de sua foz, uma vez que ele foi formado muito mais recentemente. Apesar de n\u00e3o haver consenso na comunidade cient\u00edfica, acredita-se que o curso atual do rio tenha sido tra\u00e7ado entre 10 milh\u00f5es e 2,5 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar disso, o rio pode ter tido papel importante na transforma\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica em petr\u00f3leo nessas rochas geradoras, ao criar, com quil\u00f4metros de sedimentos, a temperatura e a press\u00e3o adequadas para a forma\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos. H\u00e1 regi\u00f5es em que os sedimentos do Amazonas chegam a 9 quil\u00f4metros de profundidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, seus sedimentos tamb\u00e9m t\u00eam potencial para a forma\u00e7\u00e3o de rochas reservat\u00f3rios. \u201cEle n\u00e3o teve papel na forma\u00e7\u00e3o [das rochas] do petr\u00f3leo, mas pode ter influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios, porque a quantidade de sedimento que o rio trouxe tem potencial para ser reservat\u00f3rio. A forma\u00e7\u00e3o de uma [rocha] geradora \u00e9 um processo geol\u00f3gico que requer muito tempo, para chegar no ponto de matura\u00e7\u00e3o e temperatura para gerar o hidrocarboneto. \u00c9 pouco prov\u00e1vel que as rochas mais recentes, do Rio Amazonas, tenham potencial para serem geradoras\u201d, conclui Soares J\u00fanior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Milh\u00f5es de anos em d\u00e9cadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que fica claro ao entender como se formaram o petr\u00f3leo e os reservat\u00f3rios da Margem Equatorial \u00e9 que processos geol\u00f3gicos levam uma quantidade de tempo gigantesca, se comparados com a escala de vida humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredita-se que a nossa esp\u00e9cie s\u00f3 tenha come\u00e7ado a existir h\u00e1 poucas centenas de milhares de anos, na idade do Chibaniano (entre 774 mil e 129 mil anos atr\u00e1s). Uma pessoa centen\u00e1ria precisaria de 10 mil vidas para presenciar um processo geol\u00f3gico de 1 milh\u00e3o de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No decorrer dos milh\u00f5es de anos em que est\u00e3o se formando, as rochas geradoras acumulam milh\u00f5es de toneladas de mat\u00e9ria org\u00e2nica, ou seja, de carbono. Enquanto est\u00e1 guardado sob metros ou quil\u00f4metros de rochas e sedimentos, esse elemento qu\u00edmico n\u00e3o \u00e9 liberado na atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHouve um ac\u00famulo de carbono no passado e a gente est\u00e1 liberando esse carbono. A gente est\u00e1 jogando na atmosfera tudo aquilo que o sistema sedimentou\u201d, afirma o ge\u00f3logo Gerson Fauth.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E essa retirada do carbono do subsolo e seu lan\u00e7amento na atmosfera, principalmente na forma de di\u00f3xido de carbono (um g\u00e1s que acumula calor), se d\u00e1 em uma escala de tempo humana. Estima-se que todas as reservas conhecidas de \u00f3leo do mundo ser\u00e3o esgotadas em algumas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Petrobras estimava, no fim de 2024, por exemplo, que suas reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s provadas na \u00e9poca, de 11,4 bilh\u00f5es de barris, se esgotariam em apenas 13,2 anos com o ritmo atual de extra\u00e7\u00e3o desses produtos. Ou seja, a idade de uma crian\u00e7a que acabou de chegar \u00e0 adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cExistem estudos que dizem que, se a gente nada fizer neste exato momento para contornar essa situa\u00e7\u00e3o, em 2100 a gente vai chegar ao clima que tinha h\u00e1 40 milh\u00f5es de anos, ou seja, quando n\u00e3o tinha calota polar. Se nada for feito, boa parte ou a totalidade dessas geleiras v\u00e3o ser derretidas em 2100, se a gente continuar numa velocidade elevada do aumento da temperatura\u201d, conclui Fauth.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img  title=\"\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"322\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Margem-Equatorial-3-Arte-Agencia-Brasil-322x1024.webp\"  alt=\"Margem-Equatorial-3-Arte-Agencia-Brasil-322x1024 Saiba como se formaram a Margem Equatorial e o petr\u00f3leo da regi\u00e3o\"  class=\"wp-image-9334\" style=\"width:322px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Margem-Equatorial-3-Arte-Agencia-Brasil-322x1024.webp 322w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Margem-Equatorial-3-Arte-Agencia-Brasil-94x300.webp 94w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Margem-Equatorial-3-Arte-Agencia-Brasil-483x1536.webp 483w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Margem-Equatorial-3-Arte-Agencia-Brasil-644x2048.webp 644w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Margem-Equatorial-3-Arte-Agencia-Brasil.webp 754w\" sizes=\"(max-width: 322px) 100vw, 322px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arte: <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costa norte do Brasil surge com fragmenta\u00e7\u00e3o de supercontinente Arte: Petrobras \/ Divulga\u00e7\u00e3o PorVITOR ABDALAAg\u00eancia Brasil A Margem Equatorial brasileira tem ocupado o notici\u00e1rio nos \u00faltimos meses, por conta das diverg\u00eancias sobre a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Rio Amazonas. 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