{"id":8583,"date":"2025-05-09T11:17:47","date_gmt":"2025-05-09T14:17:47","guid":{"rendered":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=8583"},"modified":"2025-05-09T11:17:47","modified_gmt":"2025-05-09T14:17:47","slug":"seis-em-cada-dez-quilombolas-vivem-em-area-rural-revela-censo-do-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=8583","title":{"rendered":"Seis em cada dez quilombolas vivem em \u00e1rea rural, revela Censo do IBGE"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:24px\"><em>Levantamento mostra que condi\u00e7\u00f5es no campo s\u00e3o piores que nas cidades<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\">Foto: <strong>Tomaz Silva \/ Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por<br><strong>BRUNO DE FREITAS MOURA<\/strong><br>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente da popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo, em que a maioria das pessoas vive em \u00e1reas urbanas, a popula\u00e7\u00e3o quilombola habita majoritariamente regi\u00f5es rurais: de cada dez quilombolas, seis vivem no campo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constata\u00e7\u00e3o faz parte de mais um suplemento do Censo 2022, divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do total de 203 milh\u00f5es de brasileiros contabilizados pelo Censo 2022, apenas 12,6% moravam em \u00e1reas rurais. J\u00e1 entre os 1,3 milh\u00e3o de quilombolas, 61,71% viviam no campo. Isso representa 820,9 mil pessoas. Pouco mais de 509 mil (38,29%) moravam nas cidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Censo 2022 \u00e9 o primeiro em que o IBGE coleta informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da popula\u00e7\u00e3o quilombola, de forma que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer comparativos para saber se a propor\u00e7\u00e3o de quilombolas no campo tem aumentado, diminu\u00eddo ou ficado est\u00e1vel ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instituto j\u00e1 havia divulgado dados sobre a quantidade de quilombolas brasileiros e condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, tais como pior acesso ao saneamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A novidade desta divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 o retrato que separa a popula\u00e7\u00e3o quilombola em \u00e1reas urbanas e rurais. De acordo com o gerente de Territ\u00f3rios Tradicionais e \u00c1reas Protegidas do IBGE, Fernando Damasco, o resultado foi uma \u201cdescoberta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 um fator absolutamente novo, em termos de composi\u00e7\u00e3o de grupos \u00e9tnicos. A gente n\u00e3o v\u00ea isso se repetir em nenhum outro grupo. Os ind\u00edgenas hoje t\u00eam a maior parte da popula\u00e7\u00e3o em contexto urbano\u201d, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Ra\u00edzes hist\u00f3ricas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quilombolas s\u00e3o descendentes de habitantes dos quilombos, comunidades que resistiam \u00e0 escravid\u00e3o. Para classificar uma pessoa como quilombola, o IBGE levou em considera\u00e7\u00e3o a autoidentifica\u00e7\u00e3o dos questionados, n\u00e3o importando a cor de pele declarada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais, Marta Antunes, acrescenta que a presen\u00e7a maior dessa popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas rurais \u00e9 um fator de ra\u00edzes hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTem a ver com o hist\u00f3rico da ocupa\u00e7\u00e3o pela escraviza\u00e7\u00e3o e de como foi essa resist\u00eancia organizada ao longo dos s\u00e9culos\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernando Damasco ressalta a identifica\u00e7\u00e3o das comunidades quilombolas com a quest\u00e3o rural.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o do movimento social quilombola, a pr\u00f3pria vincula\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria associada a comunidades de ancestralidade negra, associada \u00e0 opress\u00e3o hist\u00f3rica sofrida, est\u00e1 profundamente vinculada \u00e0 \u00e1rea rural\u201d, pontua.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Regi\u00f5es e estados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IBGE identificou que as regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentam propor\u00e7\u00e3o de quilombolas em \u00e1reas rurais superior \u00e0 m\u00e9dia nacional:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ba Brasil: 61,71%<br>\u25ba Norte: 63,40%<br>\u25ba Nordeste: 65,01%<br>\u25ba Centro-Oeste: 31,96%<br>\u25ba Sudeste: 47,68%<br>\u25ba Sul: 45,62%<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as unidades da Federa\u00e7\u00e3o, as maiores propor\u00e7\u00f5es s\u00e3o:<br>\u25ba Piau\u00ed: 87,87%<br>\u25ba Amazonas: 84,92%<br>\u25ba Maranh\u00e3o: 79,74%<br><br>Na outra ponta figuram:<br>\u25ba Distrito Federal: 2,95%<br>\u25ba Rond\u00f4nia: 18,39%<br>\u25ba Goi\u00e1s: 27,03%<br>\u25ba Rio de Janeiro: 27,28%<br>\u25ba Acre e Roraima n\u00e3o registram localidade quilombola, seja urbana ou rural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Territ\u00f3rios delimitados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O censo traz tamb\u00e9m dados de popula\u00e7\u00e3o quilombola que vive em territ\u00f3rio oficialmente delimitado. Nessas localidades reconhecidas, 87,97% vivem em \u00e1rea rural. J\u00e1 fora dos territ\u00f3rios delimitados, 58,01% est\u00e3o no campo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Popula\u00e7\u00e3o e alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O suplemento do Censo mostra ainda que a popula\u00e7\u00e3o quilombola, seja em \u00e1rea rural ou urbana, \u00e9 mais jovem que a popula\u00e7\u00e3o geral do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mediana \u2013 n\u00famero que separa a metade mais jovem da metade mais velha da popula\u00e7\u00e3o \u2013 do Pa\u00eds \u00e9 35 anos. J\u00e1 a dos quilombolas \u00e9 de 31 anos, sendo 32 para os que vivem na cidade e 29 para os que moram no campo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IBGE j\u00e1 havia relevado que os quilombolas enfrentam mais o analfabetismo que a popula\u00e7\u00e3o como um todo. O novo levantamento aprofunda a an\u00e1lise com dados relativos a campo e cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como na m\u00e9dia do Pa\u00eds a taxa de analfabetismo no campo (18,16% da popula\u00e7\u00e3o) \u00e9 maior que na cidade (5,44%), entre os quilombolas o padr\u00e3o se repete: 22,71% na \u00e1rea rural e 13,28% na urbana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para chegar \u00e0 taxa de analfabetismo, o instituto calculou a propor\u00e7\u00e3o de pessoas com 15 anos ou mais de idade que n\u00e3o sabem ler e escrever pelo menos um bilhete simples.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Moradia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contar quantas pessoas moram nos domic\u00edlios, foi poss\u00edvel identificar que a m\u00e9dia de moradores em lares com ao menos uma pessoa quilombola \u00e9 maior que a da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a m\u00e9dia \u00e9 de 2,79 morador por lar, variando de 2,76 em \u00e1rea urbana a 2,99 em rural. J\u00e1 entre os quilombolas, a m\u00e9dia \u00e9 de 3,17, sendo 3,07 na cidade e 3,25 no campo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores identificaram tamb\u00e9m que na popula\u00e7\u00e3o brasileira que vive no campo, 4,26% dos moradores n\u00e3o tinham banheiro nem sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em se tratando de quilombolas que viviam em \u00e1rea rural, esse percentual subia para 6,36%. A situa\u00e7\u00e3o era pior ainda para os moradores de \u00e1reas rurais especificamente dentro de territ\u00f3rios quilombolas delimitados, chegando a 7,03%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Precariedade no saneamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores buscaram informa\u00e7\u00f5es dos domic\u00edlios de acordo com as condi\u00e7\u00f5es de abastecimento de \u00e1gua, destina\u00e7\u00e3o de esgoto e coleta de lixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto nas cidades brasileiras, 18,71% dos habitantes moram em domic\u00edlio com alguma forma de precariedade, essa propor\u00e7\u00e3o salta para 53,61% entre os quilombolas que vivem em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida em \u00e1rea rural, a precariedade em domic\u00edlios atinge 87,20% da popula\u00e7\u00e3o brasileira e 94,62% dos quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram considerados elementos de precariedade no saneamento: aus\u00eancia de abastecimento de \u00e1gua canalizada at\u00e9 o domic\u00edlio proveniente de rede geral, po\u00e7o, fonte, nascente ou mina; ou aus\u00eancia de destina\u00e7\u00e3o do esgoto para rede geral, pluvial ou fossa s\u00e9ptica; ou aus\u00eancia de coleta direta ou indireta por servi\u00e7o de limpeza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa destaca que em rela\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 \u00e1gua em \u00e1reas urbanas, a precariedade \u00e9 quase quatro vezes maior entre a popula\u00e7\u00e3o quilombola (9,21%) que entre a popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo (2,72%). No campo essa diferen\u00e7a \u00e9 43,48% (quilombolas) contra 29,35% (m\u00e9dia Brasil).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a coordenadora Marta Antunes, diferenciar as condi\u00e7\u00f5es de quilombolas entre \u00e1reas rurais e urbanas permite direcionar melhor pol\u00edticas p\u00fablicas para essas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA import\u00e2ncia de separar urbano e rural, tanto para \u00e1gua quanto para esgotamento, tem a ver tamb\u00e9m com as solu\u00e7\u00f5es de infraestrutura diferenciadas em rela\u00e7\u00e3o ao suprimento desses servi\u00e7os e que s\u00e3o diferenciadas entre o rural e urbano\u201d, aponta.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gerente do IBGE Fernando Damasco enfatiza que pol\u00edticas p\u00fablicas para quilombolas t\u00eam que levar em considera\u00e7\u00e3o que \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o &#8220;totalmente espec\u00edfica&#8221;, por ser majoritariamente rural, mas com grande contingente urbano.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensar a a\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pensar efetivamente solu\u00e7\u00f5es para os problemas que afetam essa popula\u00e7\u00e3o, significa dialogar com a realidade do mundo rural&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu [Estado] vou priorizar a pol\u00edtica de cr\u00e9dito agr\u00edcola, habita\u00e7\u00e3o rural, saneamento rural, escolariza\u00e7\u00e3o rural&#8221;, sugere.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao mesmo tempo, n\u00e3o posso deixar de considerar que tenho pouco mais de tr\u00eas a cada dez quilombolas nas cidades. Isso implica tamb\u00e9m em pol\u00edticas p\u00fablicas urbanas para essa popula\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica de habita\u00e7\u00e3o, de acesso \u00e0 renda, a emprego na cidade e por a\u00ed vai&#8221;, complementa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador indica ainda que \u00e9 preciso aprofundar estudos sobre a mobilidade da popula\u00e7\u00e3o quilombola, como migra\u00e7\u00e3o para \u00e1reas urbanas em busca de oportunidades de escolariza\u00e7\u00e3o e renda, e transforma\u00e7\u00f5es espaciais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os territ\u00f3rios rurais que, muitas vezes, est\u00e3o nas franjas das grandes cidades, com o avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o, acabam se vendo engolidos pela situa\u00e7\u00e3o urbana&#8221;, aponta.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cS\u00e3o din\u00e2micas que ocorrem, que afetam essa popula\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o caracter\u00edsticas e que precisam ser aprofundadas\u201d, sugere Damasco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento mostra que condi\u00e7\u00f5es no campo s\u00e3o piores que nas cidades Foto: Tomaz Silva \/ Ag\u00eancia Brasil PorBRUNO DE FREITAS MOURAAg\u00eancia Brasil Diferentemente da popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo, em que a maioria das pessoas vive em \u00e1reas urbanas, a popula\u00e7\u00e3o quilombola habita majoritariamente regi\u00f5es rurais: de cada dez quilombolas, seis vivem no campo. 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