{"id":4772,"date":"2025-03-14T12:05:31","date_gmt":"2025-03-14T15:05:31","guid":{"rendered":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=4772"},"modified":"2025-03-14T12:05:31","modified_gmt":"2025-03-14T15:05:31","slug":"brasil-perde-mais-de-2-mil-midias-jornalisticas-em-10-anos-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=4772","title":{"rendered":"Brasil perde mais de 2 mil m\u00eddias jornal\u00edsticas em 10 anos, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:25px\"><em>Pandemia e nova forma de influenciar est\u00e3o entre os motivos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\">Foto: <strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por<br><strong>FL\u00c1VIA ALBUQUERQUE<br><\/strong>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Levantamento do projeto Mais pelo Jornalismo (MPJ) revela que 2.352 m\u00eddias jornal\u00edsticas desapareceram do Brasil desde 2014. No per\u00edodo, 10.795 ve\u00edculos, entre jornais, r\u00e1dios, TVs e portais foram criados, enquanto 13.147 tiveram as atividades extintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo \u00e9 baseado no cadastro de m\u00eddias da plataforma de mailings de imprensa I\u2019Max, financiadora do projeto e idealizadora do MPJ. Tamb\u00e9m foram analisados dados espec\u00edficos de ve\u00edculos impressos e r\u00e1dios em cidades com at\u00e9 100 mil habitantes. De 2,4 mil esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio analisadas, 1.248 n\u00e3o possu\u00edam portal de not\u00edcias (52%). J\u00e1 entre 1 mil ve\u00edculos de m\u00eddia escrita, 214 n\u00e3o tinham site pr\u00f3prio (21%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO saldo em uma d\u00e9cada \u00e9 negativo e n\u00f3s n\u00e3o estamos falando de m\u00eddias pequenas. S\u00e3o m\u00eddias centen\u00e1rias, que representavam cidades muito populosas e que simplesmente foram descontinuadas porque a transforma\u00e7\u00e3o digital e a maneira que as pessoas consomem not\u00edcia impactou o neg\u00f3cio do jornalismo\u201d, explica a CEO do I\u2019Max, Fernanda Lara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda destaca ainda que o per\u00edodo da pandemia de covid-19 foi um fator relevante para o saldo negativo, com os anos de 2021 e 2022 tendo resultados negativos mais expressivos. \u201cA partir de ent\u00e3o, vemos uma recupera\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos dois anos, 2023 e 2024, a produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica brasileira ganhou f\u00f4lego, mas os n\u00fameros acumulados ainda assustam. Apesar dessa leve recupera\u00e7\u00e3o, o d\u00e9ficit permanece bem mais elevado do que t\u00ednhamos em 2020, quando o acumulado estava em 1.429\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Fernanda, novos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o v\u00eam surgindo, principalmente porque muitos jornalistas s\u00e3o independentes, os chamados de news influencers, que est\u00e3o se colocando como especialistas em algum assunto e criando o pr\u00f3prio ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o. Entretanto, ainda existe a quest\u00e3o relacionada ao financiamento do jornalismo, que se coloca como uma dificuldade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil voc\u00ea estabelecer uma publicidade s\u00e9ria para que, mesmo com esse novo f\u00f4lego, essas m\u00eddias se mantenham ativas comunicando e informando a sociedade no longo prazo. Ent\u00e3o, diante de um cen\u00e1rio que ainda se mostra muito negativo, n\u00f3s, como uma empresa do setor e que entende a import\u00e2ncia do jornalismo especialmente pelos lados de democracia, resolvemos fazer esse projeto chamado Mais pelo Jornalismo\u201d, diz a CEO do I\u2019Max.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Transi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a an\u00e1lise da jornalista e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Comunica\u00e7\u00e3o e Trabalho, da ECA\/USP, Claudia Nonato, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Brasil passou por uma migra\u00e7\u00e3o de jornalistas de ve\u00edculos tidos como tradicionais (jornal, r\u00e1dio e TV) para as plataformas digitais. Em um primeiro momento, esses profissionais se mantiveram entre os dois, o tradicional e o digital. Ao mesmo tempo, as verbas e apoio publicit\u00e1rio migraram para o digital, fazendo com que os pequenos ve\u00edculos n\u00e3o sobrevivessem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNesse movimento, o n\u00famero de impressos foi reduzido, enquanto as r\u00e1dios se ampliaram (com a facilidade da internet), os ve\u00edculos digitais (blogs, sites e plataformas) se fortaleceram e se tornaram muito mais atrativos para esses profissionais, que inclusive se motivaram a criar novas m\u00eddias\u201d, disse Claudia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim ela aponta um saldo positivo, como a cria\u00e7\u00e3o de novos formatos, modelos de financiamento, distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, cargos e fun\u00e7\u00f5es dentro do jornalismo digital. \u201cHouve tamb\u00e9m, segundo o Atlas da Not\u00edcia (iniciativa que mapeia o jornalismo local no Pa\u00eds) uma redu\u00e7\u00e3o de 9,5% no n\u00famero de munic\u00edpios considerados desertos de not\u00edcias no Brasil, al\u00e9m do crescimento das r\u00e1dios comunit\u00e1rias e do jornalismo local nessas regi\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o lado negativo, para a especialista foi a mudan\u00e7a no consumo da informa\u00e7\u00e3o por parte do p\u00fablico e a consequente difus\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o, que passou a pautar a sociedade e a pol\u00edtica nos \u00faltimos anos, trazendo grandes desafios para o jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO profissional tamb\u00e9m precisou se reinventar: migrou do anal\u00f3gico para o digital, passou a ter novas fun\u00e7\u00f5es al\u00e9m da escrita. As equipes foram reduzidas, o local de trabalho deixou de existir, passou para o remoto, e o sal\u00e1rio se tornou mais baixo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela destaca que nesse contexto sobrevivem os grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e surgem os novos, a partir do digital. Mas a grande dificuldade est\u00e1 no financiamento desses pequenos ve\u00edculos, que hoje sobrevivem de apoio de funda\u00e7\u00f5es, vaquinha virtual ou de editais p\u00fablicos. &nbsp;\u201cAs grandes plataformas, como a Meta e Google, entre outras, viram nessas iniciativas uma oportunidade de investimento, em troca do trabalho, dos dados e informa\u00e7\u00f5es desses profissionais. A partir dessas dificuldades, novas iniciativas que incentivem a sobreviv\u00eancia e o financiamento dessas m\u00eddias ser\u00e3o sempre bem-vindas\u2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pandemia e nova forma de influenciar est\u00e3o entre os motivos Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil PorFL\u00c1VIA ALBUQUERQUEAg\u00eancia Brasil Levantamento do projeto Mais pelo Jornalismo (MPJ) revela que 2.352 m\u00eddias jornal\u00edsticas desapareceram do Brasil desde 2014. No per\u00edodo, 10.795 ve\u00edculos, entre jornais, r\u00e1dios, TVs e portais foram criados, enquanto 13.147 tiveram as atividades extintas. 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