{"id":23836,"date":"2026-08-16T10:02:30","date_gmt":"2026-08-16T13:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=23836"},"modified":"2026-08-16T10:02:30","modified_gmt":"2026-08-16T13:02:30","slug":"desertificacao-no-brasil-ameaca-seguranca-hidrica-e-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=23836","title":{"rendered":"Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:24px\"><em>Pa\u00eds participar\u00e1 de confer\u00eancia global na Mong\u00f3lia sobre o tema<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\">Cr\u00e9dito: <strong>ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por<br><strong>Rafael Cardoso<\/strong><br>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cerca de 39 milh\u00f5es de brasileiros vivem em locais amea\u00e7ados pela desertifica\u00e7\u00e3o. Entre eles, est\u00e3o sertanejos, agricultores, povos ind\u00edgenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O termo pode causar estranhamento, j\u00e1 que o pa\u00eds n\u00e3o possui desertos como o Atacama, no Chile, e o Saara, no norte da \u00c1frica. Lugares onde o clima seco e a escassez de \u00e1gua s\u00e3o extremos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desertifica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 um termo mais amplo, que indica o processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental em que uma terra antes produtiva perde sua capacidade de reter \u00e1gua e sustentar vida. Isso ocorre principalmente por atividades humanas, como desmatamento e agricultura inadequada, e tamb\u00e9m por varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Quanto mais avan\u00e7ado o processo, maior o risco de uma regi\u00e3o virar um deserto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cerca de 18% do territ\u00f3rio brasileiro \u00e9 composto por \u00c1reas Suscet\u00edveis \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (ASD), segundo o boletim mais recente da Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obst\u00e1culos e solu\u00e7\u00f5es para o problema est\u00e3o na pauta de representantes da sociedade civil e de \u00f3rg\u00e3os governamentais do Brasil que participar\u00e3o da 17\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (COP17), na Mong\u00f3lia, entre os dias 17 e 28 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coordenadora executiva da Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana, destaca que o problema atinge principalmente popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis e comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cElas s\u00e3o as primeiras a sentir os efeitos, porque lidam diretamente com os impactos na \u00e1gua e na biodiversidade no territ\u00f3rio\u201d, diz Ivi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela refor\u00e7a, por\u00e9m, que a degrada\u00e7\u00e3o da terra n\u00e3o \u00e9 um problema exclusivo de quem vive nela.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cParece um problema distante para alguns, mas a desertifica\u00e7\u00e3o afeta a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, a seguran\u00e7a h\u00eddrica, a economia, influencia no aumento do calor. E tudo isso vai al\u00e9m das \u00e1reas degradadas. Tem impactos tanto no campo quanto nas cidades brasileiras\u201d, explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-Orlando-Alves-da-Silva-Fernando-Frazao-ABr.webp\"  alt=\"Deserto-Orlando-Alves-da-Silva-Fernando-Frazao-ABr Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar\"  class=\"wp-image-23806\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-Orlando-Alves-da-Silva-Fernando-Frazao-ABr.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-Orlando-Alves-da-Silva-Fernando-Frazao-ABr-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas, no Maranh\u00e3o \u00a0\u00a0-Foto: <strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Dados nacionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os anos de 2000 e 2020, a \u00e1rea afetada pela desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil passou de 1,35 milh\u00e3o para 1,51 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados, um aumento de 170 mil km\u00b2, que equivale \u00e0 soma dos territ\u00f3rios de Pernambuco, Para\u00edba e Alagoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno atinge principalmente os nove estados do Nordeste, mas chega tamb\u00e9m ao norte de Minas Gerais e ao do Esp\u00edrito Santo, ao nordeste do Rio de Janeiro e ao noroeste do Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nestas \u00e1reas, h\u00e1 tr\u00eas tipos de clima: sub\u00famido seco, semi\u00e1rido e \u00e1rido. Eles s\u00e3o classificados de acordo com a quantidade de chuva e a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, por meio do \u00edndice de aridez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sub\u00famido seco tem \u00edndice de aridez entre 0,50 at\u00e9 0,65; o semi\u00e1rido, entre 0,2 e 0,5; e o \u00e1rido, entre 0,05 e 0,2. Quando o n\u00famero fica abaixo de 0,05 tem-se o clima dos desertos, o hiper\u00e1rido, que ainda n\u00e3o existe no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira regi\u00e3o \u00e1rida do pa\u00eds foi identificada recentemente, em 2023, e abrange 6 mil km\u00b2 entre Pernambuco e Bahia. A an\u00e1lise foi publicada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"361\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-mapa-aridez_feito_por_rodrigo_cunha_para_revista_pesquisa_fapesp.webp\"  alt=\"Deserto-mapa-aridez_feito_por_rodrigo_cunha_para_revista_pesquisa_fapesp Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar\"  class=\"wp-image-23805\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-mapa-aridez_feito_por_rodrigo_cunha_para_revista_pesquisa_fapesp.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-mapa-aridez_feito_por_rodrigo_cunha_para_revista_pesquisa_fapesp-300x144.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa comparativo da evolu\u00e7\u00e3o da desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil \u00a0\u00a0-Cr\u00e9dito: <strong>Rodrigo Cunha \/ Revista Fapesp<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caatinga<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos seis biomas brasileiros, a Caatinga \u00e9 a que concentra os n\u00edveis mais graves de deteriora\u00e7\u00e3o do solo: 11% dela est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e severa, o que equivale a 100 mil km2. Cerca de 42,6% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa j\u00e1 foi suprimida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Proteger a Caatinga \u00e9 fundamental para a biodiversidade, as pessoas que vivem nela e o clima, explica o pesquisador do Instituto Nacional do Semi\u00e1rido (Insa) Aldrin Martin P\u00e9rez-Mar\u00edn, que tamb\u00e9m coordena o Observat\u00f3rio da Caatinga e da Desertifica\u00e7\u00e3o (OCA).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bioma \u00e9 monitorado continuamente pelo \u00f3rg\u00e3o, em parceria com mais de 30 universidades e institui\u00e7\u00f5es nordestinas. Um levantamento conjunto mostrou que a Caatinga aproveita o carbono com uma efici\u00eancia de 58%, maior que a de todos os outros biomas brasileiros. Essa contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental na luta contra o aquecimento global, j\u00e1 que o excesso de carbono na atmosfera ret\u00e9m calor e intensifica o efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO mais surpreendente est\u00e1 debaixo da terra: 72% de todo esse carbono fica armazenado no solo, cerca de 125 toneladas por hectare, o que faz dela n\u00e3o s\u00f3 um sumidouro ativo, mas um enorme cofre natural de longo prazo. \u00c9 essa resili\u00eancia que explica o seu protagonismo: ela sabe guardar vida e equilibrar o clima mesmo nos cen\u00e1rios mais \u00e1ridos\u201d, diz Aldrin.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-cactos-da-caatinga-ASA.webp\"  alt=\"Deserto-cactos-da-caatinga-ASA Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar\"  class=\"wp-image-23804\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-cactos-da-caatinga-ASA.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-cactos-da-caatinga-ASA-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cactos t\u00edpicos da Caatinga, bioma no Semi\u00e1rido Nordestino \u00a0\u00a0-Cr\u00e9dito: <strong>ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo publicado na revista Science of the Total Environment, em 2025, confirmou esse protagonismo. S\u00f3 em 2022, a Caatinga foi respons\u00e1vel por cerca de 50% de todo o sequestro l\u00edquido de carbono do Brasil, compensando parte significativa das emiss\u00f5es nacionais de gases de efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador do Insa alerta que o Brasil precisa brigar para que a Caatinga seja citada explicitamente no texto cient\u00edfico que ser\u00e1 negociado durante a COP17. Caso isso n\u00e3o ocorra, o semi\u00e1rido tropical ficaria fora do radar cient\u00edfico oficial da Conven\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Caatinga n\u00e3o \u00e9 o problema. Ela \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o, para o Brasil e para o Planeta. Diante da crise clim\u00e1tica, a escolha \u00e9 por territ\u00f3rios vivos: gente de p\u00e9, Caatinga em p\u00e9 e futuro em p\u00e9\u201d, diz Aldrin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil se tornou signat\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (UNCCD) em 1997, o que significou assumir acordos para prevenir e reverter os efeitos da degrada\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mar\u00e7o de 2026, foi lan\u00e7ado oficialmente o Plano de A\u00e7\u00e3o Brasileiro de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025\u20132043). O plano prev\u00ea o enfrentamento da desertifica\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica p\u00fablica que articula meio ambiente, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social, infraestrutura, acesso \u00e0 \u00e1gua, inclus\u00e3o produtiva e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra iniciativa, lan\u00e7ada em junho deste ano, foi o Programa Recaatingar. O bi\u00f3logo Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Seca (DCDE), vinculado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, explica que a meta \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o produtiva de 10 milh\u00f5es de hectares de terras degradadas do bioma nos pr\u00f3ximos 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"565\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-Bahia-ASA.webp\"  alt=\"Deserto-Bahia-ASA Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar\"  class=\"wp-image-23803\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-Bahia-ASA.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-Bahia-ASA-300x225.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a \u00e1gua, alimento, clima e biodiversidade \u00a0\u00a0-Foto: <strong>ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O foco \u00e9 promover seguran\u00e7a h\u00eddrica, restaura\u00e7\u00e3o socioprodutiva e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com base no conhecimento tradicional das comunidades locais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO recaatingamento \u00e9 uma metodologia que envolve desde a quest\u00e3o f\u00edsica do solo e da agronomia at\u00e9 o trabalho com as comunidades tradicionais, o modo de vida e a forma como elas manejam essa biodiversidade. A gente se inspirou nessas tecnologias sociais de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido para criar o programa\u201d, explica Alexandre.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cRecuperar o solo degradado \u00e9 um caminho estrat\u00e9gico para garantir trabalho, emprego e renda, ao mesmo tempo em que promove um servi\u00e7o que ajuda a humanidade a enfrentar os desastres clim\u00e1ticos. \u00c9 preciso olhar para a pot\u00eancia e a capacidade de resili\u00eancia desses territ\u00f3rios\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador do Insa, Aldrin Martin P\u00e9rez-Mar\u00edn, atesta a efetividade do recaatingamento. Ele diz que, mesmo antes do programa, a tecnologia social j\u00e1 produziu 36 mil hectares em conserva\u00e7\u00e3o, 2 mil hectares em recupera\u00e7\u00e3o ativa, 15 sistemas de agrocaatinga, 31 planos de manejo implementados e mais de 280 enxames de abelhas nativas de volta \u00e0 paisagem.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO manejo agrossilvipastoril da Caatinga consegue quadruplicar a oferta de forragem sem derrubar o bioma. Os sistemas agroflorestais elevaram a biomassa em torno de 85% e chegam a segurar 100 toneladas de solo por hectare a cada ano contra a eros\u00e3o\u201d, diz Aldrin. \u201cA rota\u00e7\u00e3o de culturas e as barragens subterr\u00e2neas devolvem \u00e1gua, carbono e fertilidade a esse cofre subterr\u00e2neo\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Perspectivas e solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), formada por mais de 3 mil organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, atua h\u00e1 mais de 25 anos na promo\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es e tecnologias que ajudam as comunidades impactadas pela desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais exemplos de atua\u00e7\u00e3o da ASA \u00e9 no desenvolvimento de programas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva. Parte deles foca na constru\u00e7\u00e3o de cisternas e pequenas barragens para garantir que fam\u00edlias tenham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, al\u00e9m de garantir \u00e1gua para produ\u00e7\u00e3o de alimentos e consumo dos animais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-cisterna-ASA.webp\"  alt=\"Deserto-cisterna-ASA Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar\"  class=\"wp-image-23802\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-cisterna-ASA.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-cisterna-ASA-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cisterna constru\u00edda com ajuda da ASA para garantir que fam\u00edlias tenham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel \u00a0\u00a0-Cr\u00e9dito: <strong>ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras iniciativas s\u00e3o focadas no fortalecimento de sementes adaptadas ao clima da Caatinga e t\u00e9cnicas agr\u00edcolas que respeitam a biodiversidade do bioma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o vai ser helic\u00f3ptero jogando sementes em um territ\u00f3rio desabitado que vai recuperar essa \u00e1rea. O combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o passa pela agricultura familiar, pela agroecologia e pelas pessoas vivendo e cuidando desses territ\u00f3rios\u201d, diz Ivi Aliana, coordenadora do ASA.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Cobertura da COP17<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Ag\u00eancia Brasil vai acompanhar as duas semanas da COP17 da Desertifica\u00e7\u00e3o diretamente da Mong\u00f3lia. A viagem \u00e9 uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis rep\u00f3rteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos pr\u00f3ximos dias, a Ag\u00eancia Brasil publica uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias com informa\u00e7\u00f5es sobre a confer\u00eancia e como os temas debatidos nela afetam o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-paisagem-campestre-Mongolia-UNCCD.webp\"  alt=\"Deserto-paisagem-campestre-Mongolia-UNCCD Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar\"  class=\"wp-image-23801\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-paisagem-campestre-Mongolia-UNCCD.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deserto-paisagem-campestre-Mongolia-UNCCD-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Paisagem campestre na Mong\u00f3lia, sede da COP17 da Desertifica\u00e7\u00e3o\u00a0 -Cr\u00e9dito: <strong>Divulga\u00e7\u00e3o UNCCD<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds participar\u00e1 de confer\u00eancia global na Mong\u00f3lia sobre o tema Cr\u00e9dito: ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o PorRafael CardosoAg\u00eancia Brasil Cerca de 39 milh\u00f5es de brasileiros vivem em locais amea\u00e7ados pela desertifica\u00e7\u00e3o. Entre eles, est\u00e3o sertanejos, agricultores, povos ind\u00edgenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros. 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