{"id":21876,"date":"2026-06-15T08:40:26","date_gmt":"2026-06-15T11:40:26","guid":{"rendered":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=21876"},"modified":"2026-06-15T08:40:26","modified_gmt":"2026-06-15T11:40:26","slug":"mexilhoes-podem-acumular-microplasticos-e-transmiti-los-a-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=21876","title":{"rendered":"Mexilh\u00f5es podem acumular micropl\u00e1sticos e transmiti-los a humanos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:24px\"><em>Mariscos n\u00e3o conseguem distinguir poluente de microalgas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\">Foto: <strong>joycemay\/Pixabay<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por<br><strong>Bruno de Freitas Moura<\/strong><br>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mexilh\u00f5es podem ser uma porta de entrada de micropl\u00e1stico no corpo humano, sugere estudo cient\u00edfico da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) publicado nesta segunda-feira (15). Esses moluscos vivem em cost\u00f5es rochosos na beira do mar e s\u00e3o apreciados em diversas receitas na gastronomia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contamina\u00e7\u00e3o acontece porque esses seres, que fazem parte da dieta humana, se alimentam filtrando a \u00e1gua e n\u00e3o conseguem distinguir microalgas \u2500 seus alimentos naturais \u2500 de micropl\u00e1sticos, elementos poluidores de mares e rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo da Unirio foi publicado pela revista cient\u00edfica Ocean and Coastal Research (Pesquisa Oce\u00e2nica e Costeira em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ser em l\u00edngua estrangeira, a Ocean and Coastal Research \u00e9 um peri\u00f3dico brasileiro editado pelo Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). A divulga\u00e7\u00e3o foi feita em parceria com a Ag\u00eancia Bori, voltada a estudos cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Coleta na praia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para chegar \u00e0s conclus\u00f5es, os pesquisadores coletaram na Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro, a esp\u00e9cie mexilh\u00e3o marrom (Perna perna), muito popular na culin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mariscos foram levados para um laborat\u00f3rio da universidade, onde foram simuladas condi\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para avaliar como os mexilh\u00f5es filtrariam a \u00e1gua e se alimentariam de microalgas e micropl\u00e1sticos, eles foram divididos em tr\u00eas grupos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram oferecidas aos grupos tr\u00eas op\u00e7\u00f5es de solu\u00e7\u00e3o na \u00e1gua: apenas de microalgas; apenas de micropl\u00e1sticos; e misturada de microalga e micropl\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe analisou a \u00e1gua dos aqu\u00e1rios ap\u00f3s uma hora e constatou que os mexilh\u00f5es consumiram os materiais de forma indiscriminada, conforme explicou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a bi\u00f3loga marinha e professora Raquel de Almeida Ferrando Neves, uma das coautoras do estudo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A gente conseguiu identificar que eles n\u00e3o t\u00eam percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguem diferenciar part\u00edculas naturais e part\u00edculas de pl\u00e1stico&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tanque que continha a mistura, os mexilh\u00f5es deixaram sobrar cerca de 48% das microalgas e 52% das esferas de pl\u00e1stico. Para os pesquisadores, os \u00edndices semelhantes comprovam a aus\u00eancia de seletividade da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Plastico-na-praia-Fernando-Frazao-ABr.webp\"  alt=\"Plastico-na-praia-Fernando-Frazao-ABr Mexilh\u00f5es podem acumular micropl\u00e1sticos e transmiti-los a humanos\"  class=\"wp-image-21881\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Plastico-na-praia-Fernando-Frazao-ABr.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Plastico-na-praia-Fernando-Frazao-ABr-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro \u00a0\u00a0-Foto: <strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Micropl\u00e1stico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os micropl\u00e1sticos s\u00e3o fragmentos do material maior, o pl\u00e1stico, que, sob efeito do tempo e do sol, se quebram em micropart\u00edculas e acabam ficando na \u00e1gua, no solo e no ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas part\u00edculas podem se desprender de lixo no mar, como embalagens, garrafas, pneus, tecidos e revestimentos com tinta. As tintas, ali\u00e1s, s\u00e3o fontes de elementos qu\u00edmicos presentes nesses fragmentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim de maio, a Ag\u00eancia Brasil noticiou que micropl\u00e1sticos foram encontrados em 93% de uma amostra de peixes no litoral do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra pesquisa brasileira chegou a encontrar micropl\u00e1sticos em placentas e cord\u00f5es umbilicais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade reconhece que o mundo enfrenta problemas relacionados \u00e0 polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1stico e defende mais pesquisas sobre o efeito dos fragmentos na sa\u00fade humana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img  title=\"\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Costa-da-Prainha-Arraial-do-Cabo-Fernando-Frazao-ABr.webp\"  alt=\"Costa-da-Prainha-Arraial-do-Cabo-Fernando-Frazao-ABr Mexilh\u00f5es podem acumular micropl\u00e1sticos e transmiti-los a humanos\"  class=\"wp-image-21880\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Costa-da-Prainha-Arraial-do-Cabo-Fernando-Frazao-ABr.webp 754w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Costa-da-Prainha-Arraial-do-Cabo-Fernando-Frazao-ABr-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisadores do Projeto Cost\u00e3o Rochoso monitoram esp\u00e9cies como cracas e ouri\u00e7os na zona entre-mar\u00e9s, que fica exposta na mar\u00e9 baixa e submersa na mar\u00e9 alta, no cost\u00e3o da Prainha, em Arraial do Cabo\u00a0\u00a0 -Foto: <strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Contaminantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora Raquel Neves, do Departamento de Ecologia e Recursos Marinhos da Unirio, faz o alerta de que o micropl\u00e1stico pode ter muitos contaminantes de superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cIsso, para a sa\u00fade humana, \u00e9 sempre muito arriscado e perigoso, porque esses mexilh\u00f5es s\u00e3o filtradores, e organismos filtradores acumulam contaminantes qu\u00edmicos\u201d, detalha.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das vencedoras da edi\u00e7\u00e3o 2023 do Pr\u00eamio Para Mulheres na Ci\u00eancia, concedido pelo Grupo L\u2019Or\u00e9al, em parceria com a Academia Brasileira de Ci\u00eancias e a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), a bi\u00f3loga aponta que o grau de presen\u00e7a de micropl\u00e1stico no organismo humano depende do tipo de dieta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe uma pessoa consome esporadicamente, ela vai ter menos risco, menos exposi\u00e7\u00e3o. Isso a gente chama de an\u00e1lise de risco de consumo. Se consome com muita frequ\u00eancia, estar\u00e1 mais exposta a esse determinado contaminante\u201d, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neves lembra ainda que, diferentemente de microrganismos patog\u00eanicos e parasitas gastrointestinais, o fato de cozinhar alimentos n\u00e3o \u00e9 suficiente para reduzir os riscos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de biotoxinas, micropl\u00e1sticos, metais e contaminantes qu\u00edmicos, o cozimento n\u00e3o reduz os n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o dos mexilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Comportamento padronizado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora considera que, apesar de a amostra do experimento ter sido de uma localiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no Rio de Janeiro, a constata\u00e7\u00e3o de que os mexilh\u00f5es confundem micropl\u00e1stico com alimento vale para outras regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa esp\u00e9cie ocorre em qualquer lugar do litoral. Ent\u00e3o, normalmente, n\u00e3o tem diferen\u00e7a de comportamento. Padr\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o, padr\u00e3o de taxa de filtra\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o costuma variar de acordo com a localidade\u201d, diz. \u201cVaria mais dependendo da disponibilidade de alimento e da disponibilidade, nesse caso, de part\u00edculas de pl\u00e1stico\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores da Unirio sustentam que, para proteger comunidades costeiras e frear a contamina\u00e7\u00e3o em cascata, s\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que cortem a polui\u00e7\u00e3o na origem, como pol\u00edticas p\u00fablicas para reduzir o despejo de res\u00edduos no mar e restringir massivamente a circula\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos descart\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe defende ainda o monitoramento cient\u00edfico constante das \u00e1reas de maricultura, onde s\u00e3o cultivados organismos marinhos, como um dos caminhos vi\u00e1veis para garantir que a economia e o consumo de frutos do mar sobrevivam com seguran\u00e7a no futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariscos n\u00e3o conseguem distinguir poluente de microalgas Foto: joycemay\/Pixabay PorBruno de Freitas MouraAg\u00eancia Brasil Os mexilh\u00f5es podem ser uma porta de entrada de micropl\u00e1stico no corpo humano, sugere estudo cient\u00edfico da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) publicado nesta segunda-feira (15). 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