{"id":18379,"date":"2026-02-11T22:51:13","date_gmt":"2026-02-12T01:51:13","guid":{"rendered":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=18379"},"modified":"2026-02-11T22:51:13","modified_gmt":"2026-02-12T01:51:13","slug":"portela-exalta-personagem-central-de-culto-afro-do-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=18379","title":{"rendered":"Portela exalta personagem central de culto afro do Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:24px\"><em>Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio foi l\u00edder religioso e mediador pol\u00edtico<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\">Foto: <strong>Portela\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por<br><strong>Gilberto Costa<br><\/strong>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro, a Portela vai contar na avenida as origens e a tradi\u00e7\u00e3o do batuque, reconhecida como principal religi\u00e3o de matriz africana praticada no sul do Brasil. A hist\u00f3ria ser\u00e1 contada no enredo O Mist\u00e9rio do Pr\u00edncipe do Bar\u00e1 \u2014 A ora\u00e7\u00e3o do negrinho e a ressurrei\u00e7\u00e3o de sua coroa sob o c\u00e9u aberto do Rio Grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O batuque (ou na\u00e7\u00e3o) forma com o candombl\u00e9 (na Bahia), a Jurema Sagrada (Alagoas, Para\u00edba, Pernambuco e Rio Grande do Norte), o tambor de mina (Maranh\u00e3o), a umbanda (Rio de Janeiro) e o Xang\u00f4 de Pernambuco o altar das principais religi\u00f5es afrobrasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme o enredo do Gr\u00eamio Recreativo Escola de Samba Portela, o Principe do Bar\u00e1 seria o nobre Osuanlele Okizi Erup\u00ea, um l\u00edder religioso que no Brasil adotou o nome Cust\u00f3dio Joaquim de Almeida. Osuanlele ou Cust\u00f3dio nasceu no S\u00e9culo 19 no golfo da Guin\u00e9 (litoral ocidental da \u00c1frica) e morreu em Porto Alegre, capital ga\u00facha, na d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As datas exatas de nascimento e morte, e a pr\u00f3pria origem nobre do Principe do Bar\u00e1, s\u00e3o objeto de discuss\u00e3o entre historiadores e antrop\u00f3logos, como indica estudo publicado pelo Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Sul negro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A despeito da controv\u00e9rsia acad\u00eamica, o samba-enredo da Portela quer \u201cresgatar a tradi\u00e7\u00e3o\/ onde a \u00c1frica assenta\u201d. O desfile da Portela lan\u00e7ar\u00e1 luz sobre dados que apresentam um Brasil que contesta o senso comum: conforme o Censo Populacional do IBGE (2022), h\u00e1 proporcionalmente mais pessoas praticantes ou devotas de religi\u00f5es de matriz africana no Rio Grande do Sul (3,2%) do que no Rio de Janeiro (2,6%) ou na Bahia (1%)<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nossa proposta \u00e9 debater a descentraliza\u00e7\u00e3o da historicidade negra do Brasil, focando na forma\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul\u201d, detalha Andr\u00e9 Rodrigues carnavalesco da Portela em material distribu\u00eddo pela escola.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atribui-se ao Principe Cust\u00f3dio um papel fundamental de media\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o negra e as elites pol\u00edticas ga\u00fachas, como uma lideran\u00e7a religiosa protetora e deposit\u00e1ria de conhecimentos e liturgias de cultos africanos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEle era uma das pessoas que possibilitou a consolida\u00e7\u00e3o dessa religi\u00e3o, deixando-a mais vis\u00edvel. Ela estava l\u00e1 em Porto Alegre, mesmo que muitas vezes escondida nos bairros mais afastados. Ele serviu para legitimar de forma transparente uma realidade que existia dentro da cidade e que era mascarada por conta do grande fluxo de migra\u00e7\u00e3o branca\u201d, assinala a antrop\u00f3loga Maria Helena Nunes da Silva em disserta\u00e7\u00e3o citada na publica\u00e7\u00e3o do Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Estreante portelense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O samba-enredo sobre o Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio ter\u00e1 como principal int\u00e9rprete Z\u00e9 Paulo Sierra, um portelense estreante realizando seu \u201csonho de inf\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMeu pai era portelense. Eu morava num bairro chamado Aboli\u00e7\u00e3o, onde minha m\u00e3e mora at\u00e9 hoje, e a maioria das pessoas eram portelenses ou imperianos. Nos anos 1980, quando eu comecei a me interessar por samba-enredo, me apaixono por um samba da Portela, que \u00e9 o Das Maravilhas do Mar Fez-se o Esplendor de Uma Noite, do David Correia e Jorge Macedo\u201d, rememora.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram inscritos 36 candidatos no concurso da Portela para escolha do samba com o qual a escola desfilar\u00e1. Ganhou a composi\u00e7\u00e3o assinada por Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Sim\u00f5es, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena. Z\u00e9 Paulo Sierra defendeu o samba na fase das eliminat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu sei cada detalhezinho desse samba\u201d, diz confiante na sua participa\u00e7\u00e3o no desfile da maior campe\u00e3 do carnaval carioca que ocorrer\u00e1 na noite de domingo, 15 de fevereiro.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Conhe\u00e7a os enredos e a ordem dos desfiles<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>1\u00ba dia \u2013 domingo (15\/02)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Acad\u00eamicos de Niter\u00f3i &#8211; Do Alto do Mulungu Surge a Esperan\u00e7a: Lula, o Oper\u00e1rio do Brasil;<\/li>\n\n\n\n<li>Imperatriz Leopoldinense &#8211; Camale\u00f4nico;<\/li>\n\n\n\n<li>Portela &#8211; O Mist\u00e9rio do Pr\u00edncipe do Bar\u00e1;<\/li>\n\n\n\n<li>Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira &#8211; Mestre Sacac\u00e1 do Encanto Tucuju \u2013 o Guardi\u00e3o da Amaz\u00f4nia Negra.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>2\u00ba dia \u2013 segunda-feira (16\/02)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Mocidade Independente de Padre Miguel &#8211; Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;<\/li>\n\n\n\n<li>Beija\u2011Flor de Nil\u00f3polis &#8211; Bemb\u00e9 do Mercado;<\/li>\n\n\n\n<li>Acad\u00eamicos do Viradouro &#8211; Pra Cima, Ci\u00e7a;<\/li>\n\n\n\n<li>Unidos da Tijuca &#8211; Carolina Maria de Jesus.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>3\u00ba dia \u2013 ter\u00e7a-feira (17\/02)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Para\u00edso do Tuiuti &#8211; Lon\u00e3 If\u00e1 Lukumi;<\/li>\n\n\n\n<li>Unidos de Vila Isabel &#8211; Macumbemb\u00ea, Samboremb\u00e1: Sonhei que um Sambista Sonhou a \u00c1frica;<\/li>\n\n\n\n<li>Acad\u00eamicos do Grande Rio &#8211; A Na\u00e7\u00e3o do Mangue;<\/li>\n\n\n\n<li>Acad\u00eamicos do Salgueiro &#8211; A delirante jornada carnavalesca da professora que n\u00e3o tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio foi l\u00edder religioso e mediador pol\u00edtico Foto: Portela\/Divulga\u00e7\u00e3o PorGilberto CostaAg\u00eancia Brasil Uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro, a Portela vai contar na avenida as origens e a tradi\u00e7\u00e3o do batuque, reconhecida como principal religi\u00e3o de matriz africana praticada no sul do Brasil. 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