{"id":1645,"date":"2025-01-31T23:29:36","date_gmt":"2025-02-01T02:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=1645"},"modified":"2025-01-31T23:29:37","modified_gmt":"2025-02-01T02:29:37","slug":"festas-juninas-superam-carnaval-na-preferencia-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/?p=1645","title":{"rendered":"Festas juninas superam carnaval na prefer\u00eancia dos brasileiros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pesquisa revela ainda que sertanejo \u00e9 o g\u00eanero musical favorito no Pa\u00eds<\/em>\u00a0\u00a0 -Foto: <strong>Marcello Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por<br><strong>Elaine Patricia Cruz<\/strong><br>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A festa junina \u00e9 o evento mais citado entre os moradores das capitais brasileiras que disseram ter frequentado uma festa popular no per\u00edodo de um ano, revela o levantamento Cultura nas Capitais. A pesquisa foi feita pela JLeiva Cultura &amp; Esporte, com patroc\u00ednio do Ita\u00fa e do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Rouanet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo sobre h\u00e1bitos culturais dos brasileiros constatou que 78% dos frequentadores de eventos populares nas capitais participaram de festas juninas nos \u00faltimos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa e que 48% foram a desfiles ou participaram de blocos de carnaval. \u201cEm nenhuma capital, o carnaval apareceu \u00e0 frente da festa junina para essa pergunta. No Recife, a diferen\u00e7a estava na margem de erro \u2013 festa junina com 74% e carnaval com 71%. Nas demais capitais, a diferen\u00e7a superou os 10 pontos percentuais\u201d, disse Jo\u00e3o Leiva, diretor da JLeiva Cultura &amp; Esporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, Leiva afirmou que isso pode ser explicado pelo fato de as festas juninas serem mais descentralizadas que o carnaval, sendo realizadas inclusive em escolas e igrejas cat\u00f3licas e reunirem tamb\u00e9m um p\u00fablico mais amplo e diverso. Al\u00e9m disso, as festas juninas acabam se estendendo por um per\u00edodo maior do ano, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa caracter\u00edstica \u2013 incont\u00e1veis eventos distribu\u00eddos por quase todas as regi\u00f5es \u2013 ajuda a aumentar o acesso. Por outro lado, mesmo as festas juninas de grande porte, em grandes espa\u00e7os, n\u00e3o chegam a ter tanto alcance midi\u00e1tico quanto os grandes blocos e desfiles de carnaval. Ou seja: as festas juninas, somadas, t\u00eam mais gente, mas menos fama\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-x-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Sertanejo \u00e9 o g\u00eanero musical favorito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mesma pesquisa apontou o sertanejo como o g\u00eanero musical favorito em 15 das 27 capitais brasileiras, tendo sido citado por mais de um ter\u00e7o dos entrevistados (34% do total) entre seus tr\u00eas ritmos prediletos, superando at\u00e9 mesmo a soma entre o samba (11%) e o pagode (18%). O pagode aparece na quinta posi\u00e7\u00e3o entre os ritmos mais citados, abaixo da MPB (27%), do gospel (24%) e do rock (21%) e acima do pop (17%), do forr\u00f3 (16%) e do funk (11%). J\u00e1 o samba \u00e9 o oitavo, \u00e0 frente do rap (9%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO gosto musical varia muito com a idade, mas o sertanejo tem uma caracter\u00edstica interessante: em todas as faixas et\u00e1rias, ele \u00e9 relevante. \u00c9 o mais ouvido em todos os grupos, com uma exce\u00e7\u00e3o. Lidera de 25 a 34 anos (35%), de 35 a 44 anos (35%), de 45 a 59 anos (36%) e de mais de 60 anos (33%). O sertanejo s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 o primeiro entre os jovens de 16 a 24 anos, faixa em que aparece em quarto lugar na prefer\u00eancia \u2013 atr\u00e1s de funk, pop e rap\u201d, ressaltou Leiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realizada entre os dias 19 de fevereiro e 22 de maio de 2024, a pesquisa ouviu 19,5 mil pessoas com idade acima de 16 anos nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Divers\u00e3o fora de casa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a pesquisa, embora os cinemas sejam a principal atividade cultural fora de casa, menos da metade dos entrevistados (48% do total) esteve em uma sala de cinema nos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa. Outra curiosidade apontada pelo estudo \u00e9 que um ter\u00e7o das pessoas consultadas (36%) nunca visitou um museu e dois em cada cinco (38%) jamais assistiram a uma pe\u00e7a teatral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 comum que as atividades culturais que podem ser feitas em casa, ou em quase todos os lugares, sejam as mais citadas. Afinal, um dos fatores que influenciam o acesso \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os culturais. N\u00e3o por acaso, na pesquisa Cultura nas Capitais o maior acesso \u00e9 a livros (62%) e jogos eletr\u00f4nicos (51%), que n\u00e3o dependem de deslocamento\u201d, disse Leiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Leiva, o consumo de atividades culturais recuou entre os anos de 2017 e 2024, com exce\u00e7\u00e3o dos jogos eletr\u00f4nicos. A queda ocorreu na grande maioria dos grupos sociais, tendo sido maior entre os homens, ind\u00edgenas e pardos. Para Leiva, uma das explica\u00e7\u00f5es para a queda no consumo foi a pandemia de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA pandemia teve v\u00e1rios efeitos simult\u00e2neos sobre o mercado cultural: mudan\u00e7a de h\u00e1bito das pessoas, acelera\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas online, poss\u00edvel inseguran\u00e7a de ir a espa\u00e7os fechados e redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o cultural, ainda que tempor\u00e1ria. Parte da popula\u00e7\u00e3o que viveu confinada durante um per\u00edodo razo\u00e1vel de tempo pode ter se acostumado a ficar em casa, desenvolvendo outros h\u00e1bitos dom\u00e9sticos, inclusive culturais, mas feitos em casa. A pandemia tamb\u00e9m incrementou o acesso a conte\u00fados culturais online, o que pode ter facilitado e acelerado a mudan\u00e7a de h\u00e1bito\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, acrescentou Leiva, a pandemia implicou a perda de renda para alguns setores sociais, o que contribuiu para a redu\u00e7\u00e3o no acesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar disso, a pesquisa mostra que h\u00e1 potencial para crescimento, j\u00e1 que os entrevistados que disseram n\u00e3o ter ido a shows musicais, festas populares, museus e espet\u00e1culos de teatro e de dan\u00e7a recentemente revelaram que t\u00eam muito interesse em ir a esses eventos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c[A pesquisa] Cultura nas Capitais perguntou a todos os entrevistados qual \u00e9, de 0 a 10, seu interesse em ir a cada uma das seguintes manifesta\u00e7\u00f5es: shows de m\u00fasica, festas populares, museus, teatro e dan\u00e7a. Os entrevistados que n\u00e3o foram a essas atividades, mas deram nota 8, 9 ou 10 para seu interesse em ir, formam o que est\u00e1 sendo chamado de p\u00fablico potencial. Fica claro que, se essas pessoas de fato fossem, o acesso a algumas atividades dobraria\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Perfil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral, as pessoas que mais frequentam ou participam de atividades culturais no Pa\u00eds s\u00e3o brancas, jovens, t\u00eam mais escolaridade e melhor condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. \u201cO acesso \u00e0 cultura reproduz boa parte dos padr\u00f5es de exclus\u00e3o socioecon\u00f4micos do Pa\u00eds. Os que mais v\u00e3o a atividades culturais s\u00e3o pessoas de maior n\u00edvel educacional, maior renda e os jovens e pessoas de meia idade, at\u00e9 os 45 anos. Em geral, essas pessoas comp\u00f5em a minoria da popula\u00e7\u00e3o que vive nos bairros mais ricos de nossas cidades\u201d, afirmou Leiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Homens e mulheres, quase igualmente, t\u00eam a mesma participa\u00e7\u00e3o nesses eventos. As mulheres, no entanto, s\u00e3o as que demonstram mais interesse em participar de atividades culturais, por\u00e9m s\u00e3o as que encontram mais barreiras para transformar o desejo em acesso. As donas de casa, por exemplo, representam o grupo com menos acesso a atividades culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os idosos, por sua vez, s\u00e3o a maior parte dos exclu\u00eddos culturalmente: a maioria deles informou n\u00e3o ter ido a nenhuma atividade cultural em 12 meses. Al\u00e9m disso, eles comp\u00f5em a principal faixa et\u00e1ria que declarou nunca ter ido a uma atividade cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o estudo, isso pode ser explicado pelo fato de que as gera\u00e7\u00f5es mais velhas tiveram menos acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no passado e, como a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator cr\u00edtico para o acesso \u00e0 renda e maior diversidade de atividades culturais, eles provavelmente cresceram com menos interesse pela cultura. Leiva disse que outro fator que pode explicar isso \u00e9 o fato de os idosos geralmente morarem em \u00e1reas mais distantes dos locais onde se concentra a maior oferta de equipamentos culturais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img  title=\"\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"463\" height=\"309\" src=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Bale-Teatro-Municipal-do-Rio-de-Janeiro.webp\"  alt=\"Bale-Teatro-Municipal-do-Rio-de-Janeiro Festas juninas superam carnaval na prefer\u00eancia dos brasileiros\"  class=\"wp-image-1606\" srcset=\"https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Bale-Teatro-Municipal-do-Rio-de-Janeiro.webp 463w, https:\/\/horadanoticiaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Bale-Teatro-Municipal-do-Rio-de-Janeiro-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 463px) 100vw, 463px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pessoas com mais escolaridade e maior renda t\u00eam mais acesso a atividades como o bal\u00e9 \u00a0\u00a0-Foto: <strong>Theatro Municipal do Rio de Janeiro\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Escolaridade e renda influenciam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolaridade \u00e9 um dos principais fatores associados \u00e0 cultura. Quanto mais alta a escolaridade, maior o acesso \u00e0 cultura, confirmou o levantamento. Isso vale tanto para a leitura de livros quanto para videogame ou circo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a \u00e9 mais importante no acesso a concertos de m\u00fasica cl\u00e1ssica, museus, saraus, teatro, bibliotecas e cinema. Enquanto 9% das pessoas com ensino fundamental foram ao teatro, o percentual vai a 40% para quem tem ensino superior. No caso do circo, o percentual \u00e9 de 9% para quem tem ensino fundamental e de 17% entre quem tem ensino superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se considera a classe econ\u00f4mica, as diferen\u00e7as de acesso entre as classes A e D\/E s\u00e3o maiores, no caso de concertos, teatro e museus, e menores no caso de festas populares, circo, leitura e jogos eletr\u00f4nicos. A pesquisa mostra que 3% das pessoas das classes D\/E foram a concertos, enquanto 20% dos respondentes da classe A disseram ter ido \u00e0 mesma atividade. Para a leitura, o percentual \u00e9 de 41% para as classes D\/E e de 81% para a classe A.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Leiva, mais educa\u00e7\u00e3o e melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda poderiam ampliar o acesso e o interesse pela cultura no Pa\u00eds. \u201cQuanto maior o n\u00famero de pessoas com ensino superior, maior ser\u00e1 o acesso a praticamente todas as atividades culturais. Quanto maior a renda, maior a possibilidade de uma pessoa ir ao cinema, ao teatro, a museus. E isso tamb\u00e9m pode aumentar a frequ\u00eancia a atividades que a pessoa j\u00e1 pratica, mas com limita\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na opini\u00e3o do pesquisador, tamb\u00e9m \u00e9 importante desenvolver a\u00e7\u00f5es voltadas aos extratos da popula\u00e7\u00e3o menos atendidos e descentralizar a distribui\u00e7\u00e3o dos equipamentos culturais e de lazer pelas cidades, que geralmente se concentradas em \u00e1reas mais ricas. \u201cOferecer oportunidades perto de onde as pessoas vivem \u00e9 fundamental. A falta de uma melhor distribui\u00e7\u00e3o limita o acesso das pessoas\u201d, afirmou Leiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa revela ainda que sertanejo \u00e9 o g\u00eanero musical favorito no Pa\u00eds\u00a0\u00a0 -Foto: Marcello Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil PorElaine Patricia CruzAg\u00eancia Brasil A festa junina \u00e9 o evento mais citado entre os moradores das capitais brasileiras que disseram ter frequentado uma festa popular no per\u00edodo de um ano, revela o levantamento Cultura nas Capitais. 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